quarta-feira, 28 de novembro de 2018

A janela da curiosidade




"Eu sabia que havia ali qualquer coisa que me lembrava a antiga casa... Sim, este cheiro que vem desta janela entreaberta é conhecido.

Ah, a minha tutora olha-me ao longe...  e diz-me: - Não vás aí!

Ela colocou uns troncos de madeira a fechar a janela.

Não consigo passar... ou consigo...

Ando para longe da janela com receio que a minha tutora me ralhe, mas não esqueço...

Meu coração me puxa a ver para onde dá aquela janela...

Enquanto minha tutora fala com a vizinha da casa da frente, entro pela janela adentro... E o cheiro aumenta... Este cheiro da casa antiga...

E lá dentro desço ao chão e de repente...
- Miau, miau, miau....

Tudo escuro e não aparece ninguém...
- Miau, miau, miau... 

Ah que medo, ouço a voz da minha tutora a me chamar, mas não vejo como sair daqui, deste lugar que tinha o cheiro da casa antiga, mas afinal era só uma caixa que aqui estava... 

Mais nada há aqui, nem está aqui o Jordan ou a Bia... E só há escuridão, frio, solidão...

Onde vou? Ah, que medo...

Escondo-me depressa num buraco que vejo ali...
E fico escondida... 

Abre-se a porta, ouço a minha tutora e a voz de uma vizinha a chamar-me...

-Não, nem pensar que aviso onde estou... E se a vizinha me agarrar? E se me tirarem da minha tutora... Não, daqui deste buraco não saio...

E fechou-se a porta! Cheia de frio esperei!!!! E Esperei!!!!

De repente, abre-se novamente a porta! Ao fundo, na claridade sinto que é a minha tutora!!!!

Ela chama-me mas tenho medo...

A minha tutora fecha a porta e fica lá dentro, chamando-me com aflição...

E só então, mio baixinho...

Foi assim que uma mão, a mão da minha tutora tenta me alcançar ...

Ah, mas daqui, não saio... Tenho medo!

A minha tutora tira tudo o que estava encima do buraco onde estou e vê-me ali tão encolhida...

E agarra-me...Eu mio baixinho, deixando-me acarinhar pela minha tutora...

Mas ela abre a porta... Será que vai me abandonar? Fico aflita, com medo...

Ela agarra-me com força enquanto fecha a porta da garagem...

E estou inquieta, deixa-me ir para casa... E vou...

A minha tutora deixa-me ir para dentro do portão da minha casa...E vou a correr...

Abre-se a porta e entro...

Ah, estou aliviada. Fui salva e resgatada pela minha tutora...

Mas que espaço é aquele?

Ah, ainda bem que aqui estou na minha casa, a nova casa, mas é esta a casa da minha tutora e basta-me!"
(Diana Ricas - Outubro/2018)

Neste artigo, Diana Riscas descreve o dia em que entrou na garagem da casa nova, ainda em obras, escondendo-se nas peças do  barbecue que ali estavam guardadas.

Os gatos são muito curiosos, e por isso, interessam-se por conhecer lugares e cantos da casa que ainda não conhecem. 

Assim sendo, de uma hora para a outra, metem-se em buracos, ou mesmo podem ir para a rua, sem necessariamente quererem sair da sua casa. 

Neste caso, a Diana Riscas queria apenas saber onde aquela janela do quintal iria dar, ainda mais que lá dentro haviam algumas caixas que tinham o cheiro da casa antiga. 

A Diana Riscas tem muito medo da rua, mas tem imensa curiosidade, e por causa da sua agilidade, facilmente desce e sobe grandes alturas. 

Por isso, tenho de estar atenta a ela, e neste caso, bastou eu falar um pouco com a minha vizinha da frente, para ela se meter dentro da garagem que ainda estava em obras. 

Deu-me uma grande aflição, e só tentando me lembrar para onde ela teria ido é que teimei em estar dentro da garagem por algum tempo, pois sei que a Diana Riscas não gosta de estranhos. 

Enfim, foi um grande susto, mas também percebo que para um gato, a curiosidade igualmente é algo que faz parte da sua personalidade felina. Por isso, temos de estar atentos, percebendo a personalidade de cada um dos nossos gatos e ao mesmo tempo, amá-los e compreendê-los, para assim ajudá-los da melhor forma.

Até o próximo artigo com beijinhos da Diana Riscas!

Texto de autoria de Rosária Grácio


segunda-feira, 5 de novembro de 2018

Por ares nunca dantes cheirados...


Após cerca de um mês, os meus gatos foram percebendo que havia um quintal junto à sua nova casa, e que para além da porta havia um mundo completamente novo, pronto a ser descoberto.

Para além das quatro paredes da casa, e esta já maior que a outra onde moravam, havia ainda um espaço onde o céu tocava a terra, um quintal, e por isso, ainda mais havia por se descobrir na casa nova dos seus tutores.

Apesar dos meus gatos terem vivido por mais de cinco anos num pequeno apartamento, percebi que um gato sempre irá gostar de ter espaço à sua volta onde possa respirar a sua liberdade.

Sim, uso o termo "respirar a sua liberdade", porque quando abro a porta, cada um dos meus gatos põe-se a cheirar o ar que está lá fora.



Porém, esta liberdade tem de ser com segurança para manter a sua saúde e o seu bem-estar. Por isso, tenho tentado ao máximo, fazer da minha nova casa, um refúgio seguro para eles, sem que tenham acesso à rua. 

Já tiveram a visita de uma veterinária que lhes ajudou no controle das pulgas e carrapatos, pois a tal coceirinha junto ao rabinho incomodava-os e era mesmo das pulguitas que apanharam no quintal.

Por isso, diante destes novos ares, há que estar atenta ao que de novo também se deve fazer, para que os nossos gatos possam estar em segurança.


O quintal não é grande, mas penso que a liberdade de um gato não está diretamente ligada com o tamanho do espaço.
  

Pelo que tenho visto dos meus gatos, a liberdade de um gato está mais associada às novidades que ele possa encontrar do que propriamente ao espaço físico que possa ter.

Um gato precisa se dedicar às suas "caçadas", e o ar livre proporciona-lhe várias oportunidades onde possam perseguir coisas em movimento, nem que sejam simples folhas secas a cair de uma árvore.

Isto dos gatos gostarem de "caçadas" para manter a sua saúde física foi um dos assuntos que li no primeiro livro digital da coleção "O meu gatinho", disponível no blog "Universo de Gatos", que pode ser baixado gratuitamente e que aconselho a lerem. Neste blog também existem vários artigos que me tem ajudado nesta mudança de casa para que possa lidar com mais consciência acerca dos cuidados que agora devo ter.
  
Mesmo a questão da obesidade, que estava a ser um dos problemas mais complicados dos meus gatos, também aos poucos está a ser resolvido pelo simples facto dos meus gatos terem outras coisas em que pensar do que apenas ir comer e dormir, quando nada mais tinham que fazer. 

Tenho aprendido que a saúde dos gatos está muito ligada à sua rotina do dia a dia, pois mesmo nós humanos, não temos uma vida saudável se formos sedentários.

Porém, a curiosidade de um gato pode coloca-lo em perigo e por isso, vigia-los poderá prevenir alguns sustos como o que a Diana Riscas me fez na semana passada, mas isso deixo para ela mesmo contar no próximo artigo.

Deixo-vos com os pensamentos dos meus gatos para o dia de hoje:

"Sei que isto de andar no quintal à chuva não é para um gato, mas prefiro salpicar as minhas patas no quintal do que estar em casa..." (Diário da Diana Riscas - 05/11/2018)



"Ah, isto de chuva já não é para um gato mais velho como eu. Sim, vou dar a minha voltinha, mas depois de ver todos os cantinhos do quintal para ver se está tudo em ordem, volto para casa. Tenho sentido muito frio, e por isso, prefiro ficar na cama dos meus tutores, bem quentinho, que ali estou melhor." (Diário do Jordan - 05/11/2018)

"Vejo da janela a Diana Riscas a andar no quintal, mas hesito. Está muito frio e nem sei se devo ir ... A minha tutora chama-me, pois diz-me que preciso fazer exercício... e assim vou ... e depois de lá estar no quintal já não me apetece sair... e então vem uma vizinha falar com a minha tutora... ups... esgueiro-me em direção à porta de entrada da minha casa pois sei que lá estou segura de pessoas que ainda não conheço." (Diário da Bia - 06/11/2018)


Texto de Rosária Grácio
Autora do livro "Bia por um Triz"
(Continua no próximo artigo)




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Para saber mais sobre o livro "Bia por um triz", veja uma pequena apresentação do livro em:


 O livro "Bia por um Triz" pode ser adquirido em

"A melhor forma de ajudar os animais é adotando-os."
(Rosária Gácio)

sexta-feira, 5 de outubro de 2018

Do outro lado da porta, é seguro ou não!



(Continuação do artigo anterior: Para além da janela do nosso conforto)

Após cerca de um mês na casa nova, a Bia, o Jordan e a Diana Riscas foram percebendo, que havia um outro mundo para além das portas e janelas da nova casa onde moravam.

Depois de vários anos a viver num pequeno apartamento, eis que os seus olhinhos brilharam, ao verem que eu andava do outro lado da janela a cuidar dos vasos e das plantas no quintal.

Lembro-me que, por vezes, eles ficavam a olhar, petrificados, como é que eu estava do outro lado da janela e depois aparecia dentro de casa.

“Sim, existe qualquer coisa ali fora. Ainda não percebi muito bem como é, mas que a minha tutora vai lá muitas vezes, e se ela vai, é porque eu posso ir também, tenho é de perceber como, e se é seguro, e sempre ao lado dos meus tutores, é claro…” (Diário da Bia, agosto de 2018)


“Cada vez que a minha tutora vai lá fora, fico nervosa. Mio do outro lado da janela e fixo o meu olhar naquilo tudo que ali existe. Às vezes, bufo de medo, Sei lá o que ali vai!” (Diário da Diana Riscas, agosto de 2018).


“Sei que há muita coisa nova lá fora para explorar. Mas os meus tutores não me deixam ir lá fora. Por mim, já tinha ido lá ver o que se passa. Estou cansado de andar sempre aqui entre quatro paredes a ver mobiliário enquanto lá fora, os pássaros voam, as folhas se movem nas árvores… Enfim, se houver oportunidade, aproveito de certeza, e dou uma escapadela.” (Diário do Jordan, agosto de 2018).


E realmente, eu e meu marido tínhamos de ter imenso cuidado com o Jordan ao entrar em casa. Houve uma ocasião que ele se misturou nas nossas pernas, enquanto entrávamos em casa, e pronto. Lá estava ele finalmente no quintal a cheirar tudo. Fui buscá-lo a correr, com medo que fugisse. Aos poucos percebi que podia começar a ambienta-los ao espaço do quintal, mas só com um de cada vez.

No entanto, inicialmente só o Jordan teve realmente coragem de atravessar a porta. A Bia punha-se ao longe, e depois corria para a janela para apreciar melhor e com segurança. A Diana Riscas é que se escondia logo, mal a porta se abrisse.

À medida que eu ia com o Jordan lá fora dar um passeio, a Bia ia apreciando da janela, como que a verificar se era seguro aquilo tudo que eu andava a fazer lá fora com o Jordan.

Eu penso que a Bia sempre foi uma gata mais pensativa e cautelosa com as novidades. O jordan aventura-se logo com ambientes e pessoas novas, enquanto a Diana Riscas tem de ter o seu tempo para acreditar se é fiável ou não, aceitar as novas coisas que lhe são apresentadas.

E mais uma vez, diante da casa nova percebi o quanto cada gato é um gato, e que devemos estar atentos à sua personalidade para melhor ajuda-los. Todo e qualquer espaço novo oferece novas oportunidades aos nossos gatos, mas na maioria das vezes, os gatos não gostam de coisas novas ou de quebras de rotinas. 

E para além disso, numa casa com quintal, temos de estar atentos à vedação em torno da casa para eles não fugirem. E ter atenção ao contacto com outros gatos da vizinhança ou que estão na rua, se pode ocorrer ou não.

Outro pormenor é o contacto com a terra e vermes, pelo que eles tem de estar protegidos das infestações de pulgas, por exemplo.


Assim sendo, procurar perceber o ambiente que nos rodeia, acompanhando e percebendo o que eles nos estão a comunicar, para melhor os proteger e ajuda-los na sua readaptação, tem sido a minha forma de interagir com os meus gatos, nestes anos de convivência ao seu lado. 

Por isso vou começar a partilhar nesse artigo, um pouco do diário de cada um deles, pois os gatos falam-nos, e precisamos é estar atentos ao que eles nos comunicam. 


Assim como fiz no livro “Bia por um triz”, a partir deste artigo, para além da minha versão dos factos, também vou partilhar a versão felina de cada um dos meus gatos. E esta versão é baseada nas suas atitudes, pois eles falam connosco todos os dias, pela sua forma de agir, e como falam!

“Ah, era tão bom andar ali no quintal. Aquele ar, aquela terra e o infinito. Sim, corria pelas escadas, e lá ia eu a correr por entre aquilo tudo. Para ver melhor o que se passava na rua, esgueirava-me na grade do muro até o fundo… Pena que este muro é um pouco alto para pular, que a minha barriga não deixa. Ah, a minha tutora ralha-me comigo, cada vez que tento pular algumas coisas que até me dariam jeito alcançar, pois gosto é das alturas, para ver tudo o que passa à minha volta. Mas a minha tutora está atenta e tapou logo todos os buraquinhos que haviam aqui e acolá, porque a rede já é velha, e tem uns buracos pelo meio. Um dia, ela não percebeu e consegui ir para cima do beiral da garagem do lado de fora, e pus-me lá a apreciar o panorama da rua… Maravilha das maravilhas, lá no alto a ver tudo! Senti-me o dono da rua! O problema é que quando a minha tutora me viu ali, pôs-se aos berros, mas deixei-me estar mais um pouco. Estava tão bem! Só quando me deu a fome, é que voltei com calma pela beirada sem cair… A minha tutora agarrou-me logo e pôs-me dentro de casa. Disse-me que estava de castigo, e que hoje não ia mais ao quintal. Não sei porquê? O que é que eu fiz de errado? Só quis ver a rua pois sou o gato da casa e preciso controlar a vizinhança!" (Diário do Jordan, Agosto de 2018)


“Sei que pode-se andar do lado de fora da casa. O Jordan tem ido e volta vivo, por isso, não lhe deve fazer mal. Bem, a minha tutora abre-me a porta e diz-me que é a minha vez, mas fico com medo. Olho de longe ou da janela para perceber melhor se as coisas são realmente seguras.  Eu não quero voltar para rua. Isso de rua já me deu muitas tristezas como contei no meu livro “Bia por um triz”, e não quero ser novamente abandonada na rua. Nem pensar que quero me perder novamente da minha tutora!” (Diário da Bia, agosto de 2018)



“O Jordan tem saído todos os dias para o outro lado da porta. Mas eu mio e me escondo. Sei lá, o que ali vai. Desde pequenina que só conheço este mundo de quatro paredes. Primeiro estive na clínica veterinária que me salvou da morte e do abandono, e depois fui para os braços da minha tutora. Nem pensar que quero estar longe da minha tutora. A Bia e o jordan se quiserem ir, que vão! Deixem-me estar aqui no meu esconderijo do roupeiro dos meus tutores, que eu estou bem segura e isto é que importa!” (Diário da Diana Riscas, agosto de 2018)



Texto de Rosária Grácio
Autora do livro "Bia por um Triz"
(Continua no próximo artigo)



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(Rosária Gácio)

sexta-feira, 7 de setembro de 2018

Para além da janela do nosso conforto…



(Continuação do artigo "Casa nova, mundo novo!")

Após o dia da mudança de casa, Bia, Jordan e Diana Riscas, aos poucos, foram tendo contacto com os novos espaços e cheiros que no início fizeram grande confusão nas suas cabecinhas felinas.

Passada a primeira noite, aos poucos, cada qual foi tendo a sua curiosidade de ir para além dos seus esconderijos.

Também os peixinhos de água temperada mudaram-se no mesmo dia e pareciam já estar bem ambientados.


E foi incrível como toda esta mudança de ares fez tão bem a todos.

Claro que no início, havia um medo em seus olhinhos, por detrás das portas, à espera dos sons que antes ouviam, tentando encontrar também os cheiros que haviam na outra casa.

E por isso, para que esta mudança não os assustasse, na sala da nova casa, estendi vários cobertores que estavam na outra casa para que aos poucos se ambientassem com os novos espaços, a partir dos cheiros antigos. 


Aliás, na nova casa, o espaço era muito maior e por isso, as brigas entre eles já não eram muito frequentes. Onde estavam na antiga casa, o espaço reduzido era propício às chamadas disputas territoriais.

Mas há que também haver um maior cuidado com as janelas e as portas da nova casa, pois as fugas nesta altura de mudanças podem acontecer.

Quando os gatos mudam de casa, podem querer voltar à antiga casa, e por isso, tendem a embrenhar-se pelos cantos e caminhos, à procura dos antigos cheiros que fizeram parte do seu lar por vários anos.

Durante estes primeiros dias, também cada qual procurou e encontrou o seu refúgio diante do novo e do desconhecido que os circundavam.

A Bia esgueirou-se para o fundo do roupeiro  e ficou ali atrás da mala de roupa. Só saía para comer e beber durante o dia.


Jordan e Diana Riscas escondiam-se, ou no armário da cozinha, ou na caixa de papelão que falei nos artigos anteriores.


Ainda decorriam as obras na nova casa, e assim sendo, os ruídos das máquinas e dos homens que trabalhavam nas obras, os assustavam muito durante o dia.

À noite, eles já interagiam mais. O Jordan e a Bia cheiravam e procuravam perceber os novos cantos da casa. No entanto, a Diana deixou-se estar mais na sua caixa de papelão.

Após a primeira semana, a Bia já olhava pela janela e admirava-se com o que via lá fora. 

O Jordan, por sua vez,  já tentava interagir até com os homens que estavam a trabalhar nas obras, e tinha de estar atenta para que ele não aproveitasse a ocasião e fugisse por alguma porta ou janela.

Aos poucos percebi que cada um deles lidou com a mudança de casa de uma forma única.

Cada gato tem a sua personalidade e mais uma vez, esta experiência de mudança de casa provou que os gatos realmente são cada qual, seres únicos e muito especiais.


A Bia demonstrou logo que gostou muito de estar neste novo ambiente. Quando já não ouvia os sons das obras, saía do seu esconderijo no roupeiro e dava um passeio pela casa toda para conhece-la melhor. No entanto, quando alguma porta se abria, fugia e escondia-se novamente. À noite, lá vinha ela fazer o seu "romrom" e dormir ao nosso lado como antes fazia.

O Jordan também gostava muito de explorar todos os cantos da casa e ainda mais entusiasmado ficava quando alguma porta se abria. Por isso comecei a deixar ele e a Diana Riscas numa sala, especialmente durante o dia, por causa do ir e vir dos que estavam a trabalhar nas obras.


A Diana Riscas foi a que demonstrou mais nervosismo com a nova casa, andando  mais tensa com tudo o que ouvia. Parecia que sempre andava à procura da casa antiga. Preferia ficar no seu caixote de papelão e para além disso, estava sempre ansiosa por ver algum canto onde pudesse ir, como se estivesse à procura da casa antiga. Tive de ter imenso cuidado com ela porque nos primeiros dias, a Diana subia as estantes e os móveis, e se houvesse algum espaço no teto, penso que ela iria se meter lá como que à procura de um caminho para a antiga casa.

Mas para além da janela havia um quintal e ainda mais novidades por descobrir.

Para além do conforto da casa, aos poucos eles foram percebendo que para além de uma casa nova, iriam ganhar a oportunidade de respirar novos ares para além das janelas e portas.

Mas todo este mundo novo lá fora também poderia oferecer-lhe perigos para a sua saúde.

Quando os gatos começam a ter uma vida no exterior da casa dos seus tutores, existem maiores cuidados que devem se ter em conta.

No próximo artigo, continuarei a falar desta descoberta e redescoberta, para além dos limites do conforto de uma casa.

Até o próximo artigo e beijinhos da Bia!


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(Rosária Gácio)


segunda-feira, 3 de setembro de 2018

Dia Mundial das Bibliotecas com a Bia por um Triz



 A Biblioteca Pública Municipal de Gaia comemorou o Dia Mundial das Bibliotecas no passado dia 1 de Julho de 2018.

No âmbito desta comemoração, o serviço de Leitura Especial Gaia Inclusiva também proporcionou a partir das 15 horas, um encontro entre autores, leitores e fãs da poesia, recitadores e declamadores, que deram asas às letras e às frases, dando voz aos livros, pois também estes precisam chegar às pessoas com deficiência visual e mobilidade reduzida.

Escrever é a arte de juntar as letras para faze-las voar para o mundo e a imaginação dos outros. Mas além de escrever, ler e dar voz aos livros é igualmente uma magnífica arte, pois esta interatividade é que permite que os livros ganhem vida e cheguem a todas as pessoas, mesmo que tenham limitações físicas.

Por isso, a Biblioteca Municipal de Vila Nova de Gaia tem o serviço de Leitura Especial, em que voluntários dão voz aos livros para que assim possam chegar a pessoas, cuja a deficiência não lhe permitem ler livros no seu formato papel.

A tarde começou com a recitação de alguns poemas pelo grupo “Maldizentes” com a participação de Aurora Lima, Helena Soares, Lídia Bom e Rosário Pires. Foi surpreendente como a poesia voou pela sala, ganhando asas nestas vozes femininas que deram alma a cada verso, libertando-a do papel.


A tarde prosseguiu com três autoras convidadas para apresentarem o seu livro e partilharem um pouco de como nascem as histórias e as frases que as contam.

Entre estas autoras convidadas, também eu, Rosária Grácio, autora do livro ”Bia por um Triz”, apresentou um pouco do que é a história de um gato, e como esta história se entrelaçou com a minha vida. Para quem já leu este livro e segue este blogue, sabe que o livro "Bia por um Triz” nasce de uma vontade de superação porque a Bia ensinou-me que é possível nos readaptarmos às novas circunstâncias da vida. Infelizmente ainda existem tantos mitos que envolvem os gatos e a sua adoção, especialmente os de rua, e por isso este livro conta simplesmente uma “verdadeira história dos gatos”, a partir de uma história real, a história de Bia, uma das minhas gatas que foi uma gata de rua.


De seguida, a autora Manuela Silva apresentou o seu livro “Aprender a ser feliz”, que é um livro nascido da experiência pessoal da autora, na forma de um romance que nos fala da felicidade, não como um estado permanente, mas como um objetivo de vida para não nos deixarmos cair com o peso da dificuldade, aceitando as nossas limitações e aproveitando todas as nossas capacidades e todos os nossos dons que ainda temos disponíveis. A mensagem que a autora quer deixar com este livro é: - Mesmo com todas as fragilidades, podemos ser felizes, podemos ajudar os outros a serem mais felizes!” Este livro só pode ser adquirido diretamente da Autora Manuela Silva, cujos os contactos vou deixar ao fim deste artigo. Faço constar que 10% da venda deste livro reverte a favor da FCD - Fraternidade Cristã dos Doentes Crónicos e/ou Deficientes Físicos. Eu já li este livro, e realmente é impressionante a vida que ali é contada, que nos agarra do início ao fim, em torno de uma história que nos encoraja a vencer as nossas limitações, mas brevemente irei dedicar a este livro um artigo no meu blogue "Ver com bengala verde" ainda esta semana.


De seguida, a autora Cristina Pimentão apresentou o seu livro “Viver, a arte maior de acertos constantes”. Também este livro nasceu de uma experiência de vida, na forma de crónicas do dia a dia, pois viver é feito de “perpétuos recomeços”. Mais uma vez, a superação dia após dia reflete-se em passos, por vezes acertados, outras vezes não. O importante é nos focar nos acertos e prosseguir. É também um livro que brevemente lerei e espero partilhar também convosco a minha opinião, pois na vida temos é de seguir em frente, mesmo que tenhamos de recomeçar.


Depois desta partilha de autores e das suas histórias, a tarde prosseguiu ainda mais intensa neste Dia Mundial das Bibliotecas, e desta vez, com os que dão voz às histórias, pois isto de contar uma história requer que o leitor mergulhe nas palavras e com elas respire e vive. 

E foi assim que o grupo “Ilha Mágica” com António Soares, Andreia Rocha e Manuel Franklin encheu a sala com a magia dos livros e dos seus personagens, que a dado momento, julgava-se estar em outros lugares, em outros mundos, com os personagens que ali eram vividos intensamente. A voz destes contadores de histórias e de “casos”, que viviam os personagens e os fazia erguer das páginas dos livros invadiu a todos, e desde o riso ao espanto, do que viria ser ou não contado, prendeu a todos que ali estavam.


Este evento contou ainda com a participação do voluntário David Morais Cardoso, o qual declamou poesia. Sim, esta biblioteca que dá voz aos livros para que pessoas com deficiência visual possam ouvir, conta com pessoas voluntárias, que se dedicam a ler e gravar a sua voz para que os livros possam voar para mais longe.

Ler um livro não é apenas seguir as frases, mas encetar uma viagem, em que as estações e as paisagens vão sendo dadas à medida que que se está ao caminho. Cada livro tem este segredo de nos levar a um lugar que só descobrimos quando lá chegamos.


Por isso, o livro ensina-nos a viver pois viver é este caminho, cujo desfecho só é nos revelado quando se chega à última página, e por vezes, nem aqui.

Agradeço mais esta oportunidade de falar do livro "Bia por um Triz" e a todos que colaboraram neste belíssimo evento que deu vida aos livros, estão todos de parabéns. 

As fotos utilizadas neste artigo foram cedidas pela Gaia Inclusiva.

Um especial agradecimento à Dra. Susana Vale, e a todos que apoiaram e ajudaram na organização deste evento, como a colaboradora Yolanda que me contactou e acompanhou desde a minha chegada a Gaia até a Biblioteca.

A vida favorece-nos com surpresas, convidando-nos a um recomeço constante, e por isso, neste mesmo dia 1 de julho, também foi o dia em que a Bia e seus companheiros felinos mudaram-se para a sua nova casa com os seus tutores, conforme já contei no meu último artigo.

Este dia 1 de julho de 2018 foi realmente um passo importante, neste conhecimento mais aprofundado do que faz a Biblioteca de Gaia para que a leitura dos livros se torne acessível a todos por meio de pessoas, algumas delas voluntárias, que se dedicam a este trabalho belíssimo de dar vida aos livros por meio da sua voz. Como já referi em um artigo anterior, o livro "Bia por um Triz" também já está acessível em audio e braille para as pessoas com deficiência visual que estão inscritas na biblioteca sonora de Vila Nova de Gaia. E sinto-me imensamente agraciada a Deus por ter tido esta oportunidade de levar o meu livro ainda mais longe, por meio da Biblioteca de Vila Nova de Gaia e de todos os seus colaboradores, aos quais dedico este artigo com imenso agradecimento.

Porém, sei que ainda estou no começo de um percurso, pois há algumas semanas, uma pessoa que adquiriu o livro "Bia por um Triz" na Suiça perguntou-me quando é que o livro estaria disponível em italiano e em outras línguas?

Sim, a vida é sempre um recomeço e ainda há muito o que se fazer para que este livro chegue a cada vez mais pessoas e em todo o mundo. Aliás, a história da "Bia por um triz" é apenas a minha primeira história que conta uma verdadeira história de gatos. 

Beijinhos da Bia e até o próximo artigo!

Para saber mais sobre Gaia Inclusiva – Serviço de Leitura Especial da Biblioteca Municipal de Gaia, deixo abaixo a morada e os contactos:
Rua de Angola 4430-014 Vila Nova de Gaia
Tel: 22 374 5670/76
gaiainclusiva@cm-gaia.pt
www.cm-gaia.pt

Para conhecer mais sobre o livro  “Viver, a arte maior de acertos constantes” da autora Cristina Pimentão pode ser adquirido pela Chiado Editora.


Para adquirir o livro "Aprender a ser feliz" contacte diretamente a Autora Manuela Silva: Telemóvel - 912 463 884
e-mail: manuelasilva1962@gmail.com
No Instagram - cantinho da Nela 
10% da venda do livro "Aprender a ser feliz" reverte em favor da FCD - Fraternidade Cristã dos Doentes Crónicos e/ou Deficientes Físicos. 

Se gostou deste artigo e para acompanhar os próximos artigos, convido-te a seguir este blogue e a página do livro "Bia por um triz" em 

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(Rosária Gácio)