sexta-feira, 23 de junho de 2017

A "paixão" da Pantufa por mim...


(Continuação do artigo anterior)

A Pantufa, aos poucos, foi-se acomodando à sua nova casa. 

Na altura eu tinha uma vida muito agitada. Estávamos no ano de 2004, em que eu trabalhava durante o dia e à noite estudava. 

A Pantufa passava a maior parte do tempo sozinha em casa.

À noite, quando eu chegava, éramos apenas nós as duas. Aos fins de semana, o meu namorado vinha-me visitar, porém, ela quando o via, fugia dele e mantinha-se à distância.

Naquela altura não compreendia muito bem a sua atitude para com o meu namorado. Como pensava que os gatos eram independentes, julguei que esta sua forma de agir era o usual nos gatos e por isso deixei-a à vontade. 

Aos poucos, fui aprendendo com a Pantufa, a conhecer melhor os gatos, nas suas características únicas, ainda mais, tendo em consideração o que posteriormente vivi com a adoção de outros gatos.

Notei que, na maioria das vezes, os gatos quando são adotados, escolhem um dono. Geralmente apegam-se a quem os trouxe para casa. 

E com o passar do tempo, percebe-se que o gato que te ama muito também deseja de ti a mesma exclusividade …

Atualmente, uma das gatas que tenho em casa, a Diana Riscas, tem tamanha dedicação a mim que para além de não se deixar agarrar pelo meu marido, tem igualmente enorme ciúme quando me ponho a fazer festas aos outros gatos que tenho em casa.


Por sua vez, a minha outra gata, a Bia (Bia por um Triz), tem uma dedicação apaixonante ao meu marido que apesar não ser tão obsessiva como o é a de Diana Riscas por mim, é notória a sua escolha em algumas situações. Por exemplo, quando o meu marido está a lhe fazer festas, e eu achego-me, ela rejeita-me um pouco, afastando-me com as patitas e até dando-me leves mordidelas. 


Claro, que estas atitudes são complicadas de racionalizar tendo em conta a nossa perspetiva humana.

Porém, no mundo dos gatos, a fidelidade e o respeito transforma-se numa verdadeira “paixão” pelos seus donos.

“Paixão” é o nome que dou a esta forma dos gatos nos amarem sem limites. 

E a Pantufa amava-me tanto, que julgo que ela não compreendia porque haveria de eu ter lá em casa o meu namorado Paulo.

Para a Pantufa, bastava estarmos eu e ela. Mesmo que eu estivesse todo o dia ocupada a trabalhar e mesmo à noite a estudar, chegando tarde a casa; estar só comigo, bastava à Pantufa.  

Por sua vez, a Pantufa tinha o seu cantinho no sofá onde se deitava à tarde. Ao fim do dia punha-se à janela; e entre o comer e o dormir, mantinha-se sempre calma a acompanhar-me com os seus olhitos brilhantes quando eu estava em casa.


Todos e quaisquer estranhos, amigos, familiares ou vizinhos, que entravam em minha casa, eram motivos para que a Pantufa desaparecesse por algum tempo. Geralmente, ela deixava-se estar debaixo da cama e aguardava que novamente eu ficasse sozinha em casa.

A vinda regular do Paulo à casa trouxe uma alteração na rotina da Pantufa. Com o passar do tempo, ela já se mostrava um pouco mais, porém mantinha-se à distância e festas dele, nem pensar.

Durante os vários anos de convivência, mesmo após casar-me com o Paulo  e este tornar-se uma pessoa da casa, nada disso alterou a nítida distância que a Pantufa fazia questão de manter entre os dois.

Claro que o Paulo tentava se aproximar da Pantufa, mas esta fugia, por vezes dando-lhe bufos e logo escondia-se depressa para evitar qualquer contacto mais próximo.

Posso dizer até, que por vezes, sentia que a Pantufa se afastava igualmente de mim, quando eu estava ao lado do Paulo.


Pode ser complicado explicar tudo isso para quem não viveu ainda uma experiência destas, mas posso dizer que o passar dos anos foram confirmando esta minha opinião acerca da Pantufa.

Contudo, mesmo que esta “paixão” dos gatos seja notória, isso não significa que eles não amem ou respeitem os demais humanos com os quais convivem na casa onde foram acolhidos.

Baseada nos acontecimentos posteriores da história da Pantufa nas nossas vidas, que depois irei relatar em outros artigos, também me provaram que a Pantufa amava o Paulo, mesmo não tendo ela demonstrado qualquer afeto por ele durante quase toda a sua vida connosco.

A Pantufa foi a minha primeira gata e ela ensinou-me muito do que é o amor de um gato. 

O amor de um gato pode até ser silencioso e passar quase despercebido, mas é real.

Porém, um amor de um gato não nos é totalmente compreensível, e por vezes, apenas a convivência o demonstra. 

Eu julgava que a Pantufa sentia solidão por viver sozinha comigo no apartamento, e por isso, eu e o meu ainda namorado Paulo resolvemos adotar uma outra gata, a Lady…

No próximo artigo irei relatar este momento que foi muito significante para a Pantufa e para nós, muito além do que inicialmente imaginei…


(continua no próximo artigo)


sábado, 17 de junho de 2017

Os primeiros dias da minha Pantufa na sua nova casa...


(Continuação do artigo anterior)

Mal cheguei a casa, mostrei à Pantufa onde estava a comida, a água e o caixote com areia; conforme me tinha sido ensinado pelo meu namorado Paulo, que já tinha mais experiência na adoção de gatos do que eu.

Pensava que a pequenina Pantufa iria cheirar a casa nova como via fazer os cães que foram adotados pelos meus pais.

No entanto, os gatos ficam estressados com os novos ambientes e os seus cheiros desconhecidos. Eles precisam de algum tempo para se ambientarem em novos locais e por isso eles não gostam muito de mudanças. É normal que os gatos se escondam nos seus primeiros dias numa nova casa.

Porém, a minha Pantufa foi a primeira gata que adotei. Ainda sabia tão pouco da personalidade dos gatos.


 E então a Pantufa, mal se viu livre das minhas mãos, correu para algum canto da casa que não pude ver. Mas deixei-a à vontade. Estava feliz, mas também muito ansiosa com o que eu e a Pantufa iríamos partilhar em casa.

Lembro-me que tive de voltar ao trabalho, e quando cheguei à noite, reparei que ela já tinha se alimentado da comida que lá tinha deixado, mas nada de a ver.

Um ou dois dias passaram e não tinha a mínima ideia aonde a minha pequenina Pantufa se tinha escondido. Fiquei muito preocupada por não a ver. Apesar do meu namorado Paulo dizer-me que era normal eles se esconderem de nós nos primeiros dias, não ficava tranquila ao chegar a casa e não a ver.

Apesar de ver que ela se alimentava pois a ração que deixava antes de sair de casa diminuía, o meu coração ficava ansioso por não a ver. Queria dar-lhe um pouco de leite próprio para gatos conforme me tinham dito para fazer.

Quando o Paulo veio jantar ao fim de semana, estava realmente muito nervosa por não a ver. 

Será que está doente? Será que ela tem tanto medo de aparecer que vai ficar perdida a um canto da casa e morrer à fome?

Então dedicamo-nos a tentar descobrir onde ela estava.

Fomos aos armários, às gavetas, aos cantos aqui e ali para ver se a descobríamos. Nada!

E então eis que a descobrimos aonde nunca desconfiávamos...

Na minha sala havia uma enorme estante, onde estava a televisão e o computador, com duas cristaleiras laterais.

Ali, atrás daquele monstro de madeira, encolhida num canto frio, lá vi seus olhos amarelos a luzir. Arrastamos o móvel pesado, e lá a agarrei, colocando-a no meu colo. O seu coração batia depressa. Dei-lhe algum leite de gato a beber, fiz-lhe festas e aqueci-a com alguns paninhos que estavam perto.


Não compreendia muito bem porque ela fugia de nós.  Mas o gato precisa saber que é amado e querido para que possa demonstrar todo o seu afeto.

E para que ela não voltasse a esconder naquele canto, tapamos os buracos por onde ela pudesse passar.

Não podia estar tranquila se não a visse.

Todos os dias chegava a casa e a primeira coisa que pensava era ver onde ela estava.

Claro que ela deixou de ir para trás da estante, mas encontrou outros lugares mais acessíveis e facilmente era descoberta e assim chamava-a.

Aos poucos ela se foi mostrando e aproximou-se cada vez mais.

Porém notei, que quando o meu namorado Paulo vinha a casa, ela escondia-se.


(continua no próximo artigo)

sexta-feira, 16 de junho de 2017

Quando adotei a minha primeira gata…




Quando adotei a minha primeira gata, não tinha qualquer ideia acerca do que era a personalidade dos gatos. Tudo o que sabia, baseava-se no que os outros falavam e pela minha experiência familiar. 

Na casa dos meus pais só tivemos a oportunidade de ter cães. Tínhamos um quintal grande onde a minha Pituca e o meu Pituco, os nossos cães, podiam correr livremente e sempre atentos a todas as coisas que ali ocorriam. Qualquer dia desses, também dedico um artigo a estes dois seres que Deus colocou nas nossas vidas.

Por agora, quero falar da minha primeira experiência com a adoção de gatos.

A ideia que tinha dos gatos é que eles não se importavam com os seus donos, antes queriam, era saltar de um lado para o outro, livres pelos telhados das casas sem qualquer afeição à sua casa e aos seus donos.

Quando resolvi adotar um animal de estimação, meu marido falou-me dos gatos.

No caso do meu marido Paulo, a sua infância e juventude foi quase toda partilhada com gatos em sua casa.

Eu morava num apartamento e tinha horários de trabalho imprevisíveis, e assim sendo, não poderia ter condições de cuidar de um cão. Sair à rua com ele, mesmo às horas que pudesse, seria complicado porque também estudava à noite.

Então fui a uma loja que vendia coisas para animais e encontrei lá alguns gatinhos para adoção. Nesse dia fiquei ainda com dúvidas, pois não tinha comprado comida e nem sabia o que era necessário. Os gatinhos eram ainda muito novinhos, talvez nem tivessem dois meses…

Mas até hoje lembro-me, que logo de imediato, fiquei apaixonada por um deles. Era uma gata com pelo preto em quase todo o seu corpo, tendo as patas brancas e uma espécie de babete branca em baixo do seu focinho… Por causa das patas serem brancas dei-lhe o nome de Pantufa.

Como disse, lá estavam vários gatinhos mas parece-me que o olhar daquela ficou-me na memória. Desde que a vi, fiquei muito enternecida com ela.


Passaram-se alguns dias pois ainda estava com muitas dúvidas. Tentei esquecer da ideia, mas aquela gatinha preta com o seu olhar vinha-me sempre à mente. 

Então, enchi-me de coragem e lá voltei. Meu coração batia depressa pois toda aquela experiência era única e não fazia a mínima ideia se iria dar certo.

Quando cheguei à loja de animais, o senhor que lá estava disse-me que apenas tinha restado um gatinho.

Fiquei com o coração aos pulos e fui a correr para ver, se esse que restava, era aquela gatinha que me tinha ficado no pensamento…

E para grande surpresa, lá estava ela a olhar para mim, quase que à minha espera… Não consigo descrever este momento sem me comover…

Penso que as nossas vidas estavam entrelaçadas e a minha Pantufa aguardou por mim. Existem coisas nesta vida que é difícil explicar e esta é uma delas.

Todos os outros gatos tinham sido adotados e só restava, a minha querida Pantufa.  

Ela era tão pequenina que a coloquei na minha mão, e segurei-a com muito cuidado para que ela não me fugisse, enquanto não chegasse em casa. O senhor da loja avisou-me que ainda tinha de lhe dar o leite apropriado aos gatos, pois ainda era muito jovem. Deu-me também algumas dicas da alimentação que deveria ser para gatos jovens.

Lembro-me que o meu coração estava mais calmo mas muito ansioso por chegar a casa. Tinha muito medo de a deixar fugir das minhas mãos.



(continua no próximo artigo)

segunda-feira, 5 de junho de 2017

Por quê contar a história de uma gata de rua?

Pantufa - A primeira gata de Rosária Grácio


Quando adotei a minha primeira gata, a Pantufa, julgava que os gatos têm de ser adotados ainda em pequeninos, para se afeiçoarem melhor aos seus donos. 

Durante muitos anos, julgava que os gatos viviam na rua porque assim gostavam de lá estar.

Todas estas teorias que tinha dos gatos era baseada nas historinhas que me contavam acerca da personalidade ambígua dos gatos.

Então adotei a Bia.

Bia na casa de Rosária Grácio

Quando a Bia foi adotada, ela já era uma gata adulta. Para além disso, ela foi resgatada da rua. Não se sabe quanto tempo a Bia viveu na rua.

Nestes anos de convivência com a Bia, aprendi que tudo o que pensava acerca dos gatos eram simples teorias.

A Bia fez-me conhecer uma realidade dos gatos que até então desconhecia.

Não sabia que muitos dos gatos que estão abandonados nas ruas, ou que simplesmente andam a maior parte do dia na rua, também necessitam ser amados.

Assim nasceu “Bia por um triz”!

Bia junto a uma das ilustrações do livro "Bia por um Triz".

“Bia por um triz” conta a história de uma gata de rua.

No último mês de maio, eu e a editora estivemos a ultimar os últimos pormenores deste livro que brevemente estará disponível em várias livrarias de Portugal e também no Brasil.

Espero que a vida de Bia possa motivar mais e mais adoções de gatos de rua.

Quiçá, algum dia, o meu desejo se realize, e todos os gatos possam ser parte da vida de alguém! 

Bia a mostrar a barriguinha ...

sexta-feira, 19 de maio de 2017

Luisa Sobral - O Meu Cão

Mais uma bela música... simples e está tudo lá... o carinho que temos pelos nossos animais de estimação e eles por nós num simples vídeo com a voz doce da Luísa Sobral e o seu cão! Maravilhoso!





sexta-feira, 5 de maio de 2017

Somos "seres vivos dotados de sensibilidade"!

Em Portugal, a Lei n.º 8/2017 de 3 de março estabeleceu um estatuto jurídico dos animais que alterou o Código Civil, o Código de Processo Civil e o Código Penal.

Como tenho animais de estimação tentei aprofundar o alcance desta Lei, pois penso que o conhecimento da mesma me tornará melhor capaz de defender os meus e restantes animais tendo em consideração o que efetivamente na lei se encontra protegido.

O 1º Artigo revela-me o Objeto da lei – essencialmente o estatuto jurídico dos animais:
Artigo 1.º Objeto - A presente lei estabelece um estatuto jurídico dos animais, reconhecendo a sua natureza de seres vivos dotados de sensibilidade,…”


Até 30 de abril de 2017, perante a Lei, os animais consideravam-se “coisas”.

Na altura da minha licenciatura em Solicitadoria, este pormenor da Lei Civil, de tratar os animais como “coisas”, na minha modesta opinião, era e sempre foi, uma espécie de “injusto tratamento” da Lei para com os animais, especialmente quando lembrava-me dos que tinha em casa.

Realmente era urgente esta alteração no que se refere ao que a Lei julgava acerca dos animais.

Já a Lei n.º 92/95, de 12 de Setembro invocava a Protecção aos animais porém, a presente lei Lei n.º8/2017 foi um importante passo para ultrapassar a questão dos animais serem “coisas” e assim assumirem a sua dignidade.

No código Civil no Artigo 201.º-B  define-se os Animais como “seres vivos dotados de sensibilidade e objeto de proteção jurídica em virtude da sua natureza”.

A proteção jurídica deve ser vista não só à luz do código Civil mas também considerando a legislação especial correspondente (Artigo 201.º-C).

Isso porque existem várias leis especiais que ainda estão em vigor, no que se refere a determinados animais e situações, que também devemos ter em conta, no momento da aplicação da Lei num caso concreto.

Não existindo lei especial, em termos de ajuizamento daquele caso concreto, aplica-se subsidiariamente o que se aplica às “coisas” desde que tal não seja incompatível com a natureza dos animais ( Artigo 201.º-D).


Por isso, esta Lei é apenas um primeiro passo para esta conscientização do que é o animal para o ser humano e a sua posição perante este.

Assim sendo, quanto mais nos conscientizarmos do que esta Lei diz, e quanto mais fizermos para que esta Lei n.º8/2017 seja eficazmente cumprida, melhor concretizaremos esta proteção e defesa dos animais, no seu todo, especialmente, no que se refere aos errantes e sem raça definida, para que a importância de um animal não esteja limitado ao seu valor monetário ou comercial.

O animal é um ser vivo, cuja a sensibilidade deve ser protegida e defendida, pois esta “sensibilidade” é a que faz  o ambiente humano e animal estar em sintonia numa justa e saudável convivência.

Quando adotei a minha primeira gata, a minha ideia acerca dos animais era completamente diferente do que agora defendo.


Isso porque, muito do que julgamos saber dos animais não estão nos livros científicos.

Por isso, a Lei quando fala da tal “sensibilidade” dos animais, obriga-nos a interrogar-nos acerca do que é um animal e da sua posição entre nós humanos.

Para que todos possam assumir esta “sensibilidade” animal, é preciso que a partir deste ponto, haja cada vez mais posições e atos de sensibilização concretos.

Não será uma Lei que irá mudar mentalidades.


Antes, pela Lei, cabe a cada um de nós, que diz defender os animais, prover e usar desta Lei na defesa dos animais no seu dia-a-dia.

E esta Lei deve começar na nossa casa, a partir dos nossos animais de estimação. E, por conseguinte,  deve esta Lei começar também, a fazer-nos olhar os demais animais, incluindo os animais de estimação dos nossos vizinhos e amigos, segundo e conforme os novos princípios salvaguardados na Lei n.º 8/2017.

Não devemos apenas defender os nossos animais de estimação, antes, devemos ter também um mesmo respeito por todos os animais que nos rodeiam.

Só assim, a Lei poderá viver na nossa sociedade com “plenos pulmões”.

Uma Lei só vive quando concretamente se cumpre!

E esta Lei não pode ficar esquecida numa gaveta...

(Texto de autoria de Rosária Grácio)




Bibliografia:
os trechos legais foram consultados nos sites:


Fotos dos gatos "Diana Riscas", "Jordan", "Pantufa" e "Bia".



segunda-feira, 1 de maio de 2017

Finalmente deixamos de ser "coisas"!






A partir de hoje, em Portugal, eu e todos os animais somos seres vivos dotados de sensibilidade e objeto de proteção jurídica em virtude da nossa natureza.

Finalmente deixamos de ser "coisas"!

sábado, 8 de abril de 2017

Precisamos amar e desejar adotar um gato antes de o adotarmos!





Amar um gato é uma escolha bem especial e tem um toque personalizado.

Todos os gatos que já adotei fizeram e fazem parte de um momento bem específico da minha história.

Aliás, antes da adoção, eu e meu marido, fazemos sempre questão de termos uma conversa bem pensada, pois afinal, vamos trazer para a nossa casa, não apenas um animal de estimação.

Posso dizer que não considero nenhum dos animais que tenho em casa como apenas "animais de estimação".

Cada gato que trouxemos para viver connosco é parte da nossa casa, do nosso lar e também da nossa família.

Não consigo pensar na minha casa sem ter a companhia deles.

Eles fazem parte daquilo que vivo. Eles fazem parte da minha história.

A “Bia”, por exemplo, veio-me numa altura em que tudo parecia estar a dar errado na minha vida. Tinha morrido a minha gata Pantufa de 10 anos, foi-me diagnosticado um cancro e estava a ter os primeiros sintomas da minha deficiência visual progressiva e incurável.

Tudo parecia de “mal a pior” quando resolvemos, eu e meu marido, adotar outra gata, apenas e porquê, a minha gata Lady estava a sofrer de saudade pela perda da sua companheira de mais de nove anos…


E um dia o meu marido disse-me: se encontrarmos uma gata preta e branca, ainda melhor será!

- Porquê? - perguntei-lhe.

E ele foi-me dizendo que, antes de viver comigo, tinha na casa dos pais a Mascota, uma gata preta e branca, que era a gata mais meiga que já conheceu na sua vida.

Eu apenas preferia que fosse uma gata adulta, porque a Lady já tinha nove anos e precisava de uma companhia, preferencialmente já crescida. E para além disso, era preciso que fosse uma gata sociável com outros gatos para que a Lady a adotasse também.

A adoção de um gato, começa assim: no coração do(s) adotante(s)!

Precisamos amar e desejar adotar um gato antes de o adotarmos!


Adotar um gato não pode ser um ímpeto de momento em que estamos bem-dispostos.

Adotar um gato tem de ser uma atitude bem pensada e planeada pela família que o irá acolher.

Todos devem compartilhar da experiência da adoção, pois este animal a que chamamos gato, percebe logo quando não é estimado ou querido…

Claro que há situações, em que a adoção tem de ser urgente, pois trata-se de salvar um gato de uma situação de perigo. Nestas situações, o adotante é antes de mais, um salvador, um herói, que merece então as maiores congratulações. 

Adotar um animal para salva-lo de uma situação que coloca a sua vida em risco é um ato de heroísmo que devia ser imitado por cada vez mais pessoas.

Mas, fora destas situações, adotar um gato requer uma comunhão familiar e todos os intervenientes devem ser ouvidos.

Aliás, até mesmo os próprios gatos que já estão em casa, também devem ser consultados… e esta consulta dá-se nos dias posteriores à adoção em que a convivência deles deve ser vigiada pelos seus tutores.

E assim aconteceu!

Por incrível que pareça, a nossa veterinária tinha apenas uma gata preta e branca disponível para adoção, e era já adulta e parecia dar-se com os outros gatos. Ela chamava-se Bia e não lhe mudamos o nome.

Quando a Bia veio para a nossa casa, no início a nossa Lady fez-lhe uns bufos e rosnou-lhe…

Mas depois de alguns dias, eis que a felicidade volta com a nossa Bia abraçada à Lady e a partir dessa altura, uma nova história começa em nossa casa!



Nessa altura, mal eu sabia, que um dia iria escrever a história da Bia, a que dei o título "Bia por um triz"; e que para além disso, uma editora iria gostar do livro e que já faltam poucos meses para este livro estar disponível em livrarias de Portugal e do Brasil.

E assim aconteceu!

Os gatos ensinam-me, desta maneira, que mesmo que a nossa vida não esteja a correr bem por algum tempo, há sempre um motivo, eu diria, que sempre nos é dada uma grande oportunidade para mudarmos a nossa história, e recomeçarmos!