terça-feira, 28 de maio de 2019

Só por amor, fico aqui!



Há cerca de algumas semanas, fiz uma divisão no meu quintal para que a Mariana pudesse estar à vontade e fazer os seus passeios sem o risco de estar em contacto com os meus outros três gatos.

Como já contei em artigos anteriores, a Mariana fez exame de sangue quando foi encontrada, e verificou-se que ela tem a Sida dos gatos.

A Sida dos gatos não passa aos humanos, mas pode contagiar outros gatos por meio das mordidas e relações sexuais, bem como toda e qualquer ferida que envolva contacto de sangue.

Estive a estudar muito sobre esta doença, e há quem admita que o risco de contágio é muito pequeno. Conheci casos em que um gato infectado é capaz de conviver por vários anos com outro não infectado, e nunca transmitir a doença.

Brevemente, a Mariana será castrada e penso que assim será mais difícil ocorrer relações sexuais com o meu Jordan. A castração pode também favorecer um ambiente sem tantas guerras territoriais.

Por vezes, fazer a separação entre os gatos que tanto amamos, pode causar muita dor, e confesso que foi complicado no início quando tive de deixar a Mariana sozinha.

No entanto, a Mariana  também foi ocupando o seu espaço, e percebi que ela é muito corajosa e dona de si. 

Por vezes, deixo ela conviver um pouco com o Jordan que é um gato muito amistoso com novos gatos. No entanto, tenho de estar sempre atenta, porque a Mariana quer sempre estar atrás dele a brincar de morder, e tenho receio que o Jordan a morda a valer, já que ele é o mais idoso da casa e já não tem genica para estas brincadeiras de jovens gatos.

Assim sendo, consegui fazer uma divisão onde todos se vêem uns aos outros, e ao mesmo tempo separados. 

De manhã, depois de deixar os outros darem o seu passeio pelo quintal, solto a Mariana da sua casinha onde mora.

Ela desata a correr e começo então a cuidar das plantas, enquanto ela vai de um lado para o outro, fazendo-me companhia de vez em quando.

Percebo que a Mariana gosta muito de interagir comigo, já que não tem mais ninguém para brincar. No entanto, o quintal permite-lhe saltar de um lado para o outro. A laranjeira é o seu pouso predileto, onde ela salta de um galho para o outro, num instante.

Certo dia tive de quebrar a rotina dos doutros dias. Soltei a Mariana, mas tive de a deixar sozinha, porque tinha algumas coisas ainda a fazer em casa.

Os gatos gostam de rotina e para eles, quando fazemos certas coisas, parece-lhes que assim deve ser todos os dias. 

Por isso, a Mariana, quando se viu sozinha no quintal, começou a miar, como que a perguntar-me: - E então? Não vens?

Eu disse-lhe para esperar um pouco que ainda me faltava arrumar umas coisas em casa.

Mas a Mariana continuava a reivindicar a minha companhia.
A dado momento, dei com ela a subir a vedação, quase a ultrapassá-la como que a dizer-me: - Se tu não vens, vou eu aí!

Claro que fiquei assustada, especialmente porque a vedação é alta e ainda mais, a Diana Riscas poderia dar-lhe uma corrida, e ia ser uma confusão geral.

A tempo, a fiz voltar para o chão e fui ter com ela, tratando do jardim, como habitualmente.

E então após uma hora ali com ela, em que fui fazendo isto e aquilo no quintal, é que então deixei-a sozinha, sem qualquer reclamação, ficando o resto da tarde ali a brincar no quintal.

Hoje percebi que aquela vedação não é obstáculo para a Mariana. Então porque ela não o subiu antes?

Só tenho uma resposta a esta pergunta… Um gato, só deixa ficar contigo, por amor. 

Não existe outra resposta possível que possa justificar que um gato se deixe ficar sem ser por amor.

Quando um gato se sente bem ao teu lado, ele obedece e comporta-se por te ama.

Se a Mariana quisesse fugir, já tinha fugido de perto de mim. Mesmo com a vedação toda a volta, a única coisa que a impede de ir embora é por me ama e quer estar ao meu lado.

E já percebi que ela salta a vedação e vai para o telhado num instante, o que me tem inquietado muito. Passado algum tempo ela aparece mas é um risco que eu, neste momento, não tenho como evitar, senão a colocando na sua casinha, sem ir ao quintal, especialmente quando tem o cio.

E à noitinha, quando ela se recolhe na casinha só dela, não posso deixar de ter o momento de carinho com ela, em que faço festas nas orelhas e pescoço, enquanto ela se agarra às minhas mãos.

E ela então deixa-se ficar. Por vezes, chega um ponto que mia quase a dizer-me: - Podes ir para casa, pois eu já estou bem e prontinha para dormir… Obrigada.

E assim deixo-a, enquanto seus olhinhos olham-me ternamente, e ainda digo-lhe: - Até amanhã, Mariana.

Mariana vai ser castrada e nessa altura vai fazer novo exame de sangue para ver se o diagnóstico da Sida ainda se mantém. Sim, há probalidades do teste de sangue antes dos seis meses não ser definitivo. Só depois dos seis meses, é possível confirmar com certeza se um gato está definitivamente infectado com a Sida dos gatos.

Já soube de casos em que o teste depois dos seis meses, deu negativo. E assim, o gato não tinha a Sida dos gatos conforme foi diagnosticado antes dos seis meses.

Mas também, pode o teste dar positivo novamente e a Mariana ter esta doença que afeta tantos gatos de rua.

Um gato infectado com Sida dos gatos pode ser saudável a vida toda, se for bem tratado com uma boa alimentação. Nem sempre esta doença poderá ser fatal, e muitos vivem por vários anos sem que a doença se manifeste. 

A Mariana já recebeu a vacina própria para gatos com Sida, e agora prepara-se para a castração.

Apesar de todas estas preocupações e cuidados, a Mariana é uma bênção que me apareceu no último Natal. 

Já aprendi muito com a Mariana. Ela conseguiu resistir, após ter sido encontrada tão fragilizada, com infecção nos olhos  e no nariz. (Veja aqui o vídeo destes primeiros meses da Mariana),

Há sempre esperança, mesmo que as probalidades indiquem o contrário.

Só o amor poderá fazer a diferença.


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(Rosária Gácio)


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