quinta-feira, 19 de julho de 2018

Mudar de casa, e agora, Bia!





Já algum tempo pensava em mudar de casa. Meu apartamento era pequeno e estava localizado num local muito movimentado em trânsito, o que para mim, devido à deficiência visual é muito complexo.

Depois, a alteração do comportamento dos meus gatos, nos últimos meses, poderia estar ligada a este factor de pouco espaço de um apartamento, que estava dificultando um melhor entendimento entre eles.

Cada gato é um gato, e tenho percebido que a personalidade de cada um deles varia muito.

Desde que vimos a nova casa, eu e meu marido imaginamos logo os nossos gatos ali, a andar de um lado para o outro, sem estarem presos a um apartamento pequeno e fechado.

Esta novidade da casa nova também iria mudar os hábitos dos meus gatos, e por isso, fui me aconselhando com a veterinária que cuidou da Bia. 

E também li vários artigos de especialidade na área, sobre as maneiras dessa mudança ser a mais adequada para os meus gatos, sem que corra o risco deles fugirem.

O que li foi que alguns deles têm tendência a quererem voltar à antiga casa, e alguns até fogem do novo ambiente à procura dos cheiros que estavam na casa antiga.


Primeiramente, comecei a retirar as coisas devagar da casa antiga, deixando sempre mantas, cobertores e edredons para eles ali dormirem e deixarem o seu cheiro.

Como tive de fazer obras na nova casa, a mudança teve de ser gradual.

Desde estas primeiras mudanças iniciais reparei então que, diante de mim, estavam três gatos que foram lidando com esta mudança de casa, uma forma diferente.

E nos próximos artigos irei partilhar o que me foi acontecendo no meu caso concreto.

Realmente os gatos surpreendem-nos sempre.

Sim, cada gato é um gato e como disse uma amiga que também têm gatos, temos de estar atentos, pois só quem lida com eles todos os dias, é que realmente os pode perceber e assim melhor pode ajuda-los.

Então, no próximo artigo começarei com o caso da caixa da Diana Riscas…

Até o próximo artigo e beijinhos da Bia.


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"A melhor forma de ajudar os animais é adotando-os."
(Rosária Gácio)

quinta-feira, 17 de maio de 2018

Lady - Uma gata que viveu em outros tempos



Nestes últimos meses tenho me deparado com várias questões acerca da alimentação dos gatos, especialmente devido à obesidade da minha gata Bia. 

No entanto, esta questão prende-se a outra interrogação que também me preocupa: - O que faz um gato ficar obeso? 

A única forma de perceber o que nos diz um gato, é amando-o, estando atento às suas alterações de saúde e do seu comportamento.

Com o livro "Bia por um triz" algumas pessoas têm partilhado comigo a história dos seus gatos. A partilha destas histórias pode me ajudar ainda mais a compreender os meus felinos.

Por vezes, esta partilha faz-me analisar a história da minha convivência com os meus amados felinos, pois a melhor maneira de perceber o presente, e preparar um futuro melhor, é aprender com o que nos aconteceu no passado. 

A história da “Bia por um Triz”, e a história de tantos outros gatos podem fornecer algumas pistas nas interrogações dos nossos dias.

E por isso, vou partilhar a história da gata Lady.

Lady foi a primeira gata do meu marido, o Paulo. Eu não tenho nenhuma foto da Lady, mas do que eu sei, ela tinha tons acastanhados escuros, um pouco parecida com a Lady que adotei, anos depois. Aliás, como fui buscar a minha Lady ao mesmo lugar onde meu marido morou na sua infância, quem sabe, a minha Lady não foi uma descendente da primeira Lady, aquela que meu marido adotou há mais de trinta anos? 


Paulo, devia ter ainda uns seis anos quando a Lady foi resgatada de uma feira pública onde era vendida por ser da raça siamesa. A questão é que ela e seus irmãos, ainda muito pequeninos, foram o resultado de um crime de roubo feito à sua dona humana, por causa de serem de raça pura. Com o resgate da Lady, também os seus irmãos foram libertados das mãos dos criminosos.

Constava-se que a Lady foi a primeira gata de raça siamesa que foi morar naquelas ruas. Ela tinha um nó no fim do seu rabinho, que determinava a sua raça pura, mas essa questão de raça era o que menos importava no seu novo lar: uma casa humilde num quarto andar no centro de uma cidade que estava a crescer.

A Lady era tão pequenina que nos primeiros dias, foi amamentada com leite de vaca aguado, que na altura, diziam que se devia dar aos gatinhos. 

Hoje em dia, o leite de vaca já não é recomendado aos gatinhos, mas quem é que não se lembra deste velho costume de se achar que os gatinhos gostavam de leite? 

Os tempos eram outros e o que importava, na altura, era alimentar a pequenina Lady, que tão novinha, foi retirada do aconchego da sua mãe. 

A Lady sempre recebeu muito afeto nesta família de humanos que a acolheu. Por isso, na falta das condições que hoje temos disponíveis, na altura, quando se adotava um gato, tinha de se improvisar.

Por exemplo, como não havia a areia para servir de WC, usava-se serrim, que ia-se buscar nas lojas da carpintaria das ruas vizinhas.

O tempo foi passando e aos poucos, a pequena Lady foi se tornando uma gata dona de si e da família que a adotou.

A Lady tinha uma personalidade forte e nunca deixou mais nenhum outro gato ir viver na sua casa. Ainda lhe trouxeram o Mickey, para ver se formavam um casal de siameses puros, mas ele teve de ir viver na casa de um dos vizinhos. Mais tarde, ela e o Mikey iriam ter muitos filhotes, feitos no telhado do prédio onde viviam. 

Porém, todos os filhotes da Lady foram adotados por amigos e vizinhos do Paulo e nunca nenhum deixou de ter um lar.

Apesar da Lady ter o seu ar de independente, não andava na rua, mas como morava no último andar de um prédio, ia para cima do telhado e ali ficava a mirar a cidade que ia crescendo ao seu redor.

Isto de dar rações a animais ainda não era moda e nem habitual como nos nossos tempos.

Na altura, os animais partilhavam da comida dos seus donos, e por isso a Lady foi habituada a comer do que sobrava da mesa dos seus donos, e do que roubava dos vizinhos.

Sim, porque, se algum vizinho tinha algum bacalhau a demolhar à janela, era quase certo que a Lady iria pelo telhado e se aproximaria da janela, e num ápice, uma posta lá ia abocanhada.

E no telhado, a Lady deixava depois as peles do bacalhau que comia, deixando a prova do crime para depois ser confirmado o seu delito. À porta vinham os vizinhos a queixarem-se, e nada mais havia a fazer do que dar outras postas de bacalhau para os ressarcir dos seus danos materiais.
- Há que fechar a janela, quando colocar as postas a demolhar… - avisava o menino Paulo.

Os tempos eram de pouca comida, em que se comprava as coisas por gramas e não por quilos, por centilitros e não por litros, por meio quartilho, ou metades ou um quarto. Tudo era racionado no que se comia, pois, o dinheiro não dava para guloseimas.

A Lady sabia que só podia comer o que os donos lhe podiam dar e não havia comida quando lhe aprouvesse. Certamente usou os seus dotes felinos para caçar os ratos e aves que pousavam no telhado.

A Lady viveu cerca de 18 anos, sem obesidade, mantendo-se saudável e ativa por toda a sua vida. Só foi duas vezes ao veterinário. Na altura, ainda não havia o costume de levar-se o gatos às vacinas e por isso, os gatos só iam ao veterinário em caso de necessidade. 

Numa das vezes que foi ao veterinário, foi por causa de um osso de frango que se entalou na sua boca enquanto comia.  No caso da Lady, o osso entalou-se na boca, mas não se deve dar frango com ossos ao gatos, porque quando os ossos de frango quebram-se, formam pontas afiadas que podem lhes causar hemorragias internas e sérios problemas de saúde.

Quando a Lady começou a ficar muito quieta, babando-se, o Paulo percebeu logo que algo estava mal e foi ao veterinário. Na altura não havia transportadoras, e se havia, eram muito caras, e por isso, o Paulo, ainda criança levou-a ao colo nos transportes públicos ao veterinário mais próximo. A princípio, o motorista não queria que a gata fosse ali ao colo mas depois, após ver-se que a gata estava quietinha num colo de uma criança, lá deixou mas a muito custo. O que mais preocupava o Paulo era cuidar da saúde da sua Lady, de resto, nada mais lhe importava.

Porém, quando chegaram ao veterinário, quem é que podia por a mão na Lady para ver o que se passava com ela? Só com a mão do seu dono Paulo, ainda criança, a fazer-lhe festas na cabeça,é que o veterinário e as suas assistentes viram que havia um o osso entalado na boca da Lady, conseguindo retira-lo, colocando-lhe depois o remédio para curar-lhe as feridas que o osso ocasionou-lhe. Passados uns dias, a Lady já saltava e comia como se nada tivesse acontecido.

Esta relação intensa de confiança da Lady com o Paulo, que não admitia mais ninguém à sua volta, para além dos pais do Paulo que moravam na sua casa, é uma prova de fidelidade que mesmo em tantas amizades humanas é difícil de encontrar.

O gato tem um amor incondicional por quem o acolhe, e é grato por toda a sua vida. A gratidão dos gatos não tem limites e é para sempre.

Infelizmente, a Lady de um dia para o outro, após mais de 18 anos de plena saúde e vitalidade, deixou de aparecer na sua casa e no telhado.

Havia na zona, infelizmente, uns que se dedicavam a envenenar os animais de rua. Já não era a primeira vez que um gato aparecia morto, envenenado e jogado no latão do lixo, sem qualquer apreço. Muitos pensam que os animais que andam na rua não são amados, e que não fazem parte das ruas civilizadas, pois há que manter a limpeza no desenvolvimento urbano de uma cidade turística. Ainda por cima, existem leis municipais que  multam quem anda a colocar comida e água fresca nos cantos das ruas para alimentar os animais de rua.


No entanto, outros humanos não gostavam que as ruas ficassem sujas com a nossa comida. Então, alguns deles jogavam fora a comida que encontravam. Havia ainda, os que envenenavam a nossa comida para assim ao comermos dela, morrermos. Nunca percebi porque alguns humanos não gostavam de nós! Mas, ah, que fome!!! Tenho de comer! - Porquê não tenho onde morar?” (página 32 do livro “Bia por um triz”)

Quando escrevi o livro “Bia por um triz” reservei alguns capítulos a falar deste abandono dos animais na rua e a incompreensão que eles geram entre os que os veem. A Bia retrata um pouco do imenso sofrimento que vivem os gatos de rua, alguns deles abandonados. Infelizmente, também existem outros gatos que andam na rua, mas que têm casa e donos, que infelizmente ainda não perceberam o quanto as nossas cidades se tornaram complexas e perigosas para os gatos. Já não é possível eles terem um habitat saudável como há alguns anos.

Alguns gatos, pela sua curiosidade, saltam os muros, ausentam-se da sua casa, e por vezes, não adiantam as cercas para conter a sua atividade felina de andar por todos os cantos. Penso que toda esta atividade os fazia também menos obesos porque gastavam a sua energia nestas atividades naturais pelo meio ambiente.

Sei que mesmo que tenha muros altos na minha casa, poderei não conter a curiosidade dos meus gatos. Mas esta questão da atividade física que os gatos naturalmente precisam é o que a história da Lady me ensinou.

Enfim, penso que a história da Lady, indaga-me se a falta de atividade física dos meus gatos não será também uma das causas da sua obesidade. 

Outra questão é a sua alimentação. Claro que muita coisa mudou. Aliás a nossa própria comida mudou. Dar restos de comida a um gato que não tem acesso ao exterior onde possa comer outros alimentos da natureza, poderá não dar todos os nutrientes necessários à sua saúde.

E temos de ter atenção ao quanto de comida processada que ingerimos com tantos agrotóxicos e conservantes, que até nos assusta, se lermos os rótulos das embalagens.

Buscar uma alimentação saudável para nós e para quem amamos, em particular os nossos animais de estimação, é o que nos poderá valer para vivermos mais alguns anos neste mundo cada vez mais complexo e altamente comercial.

Por isso, partilhei neste artigo a história da Lady, e convido a outros a partilharem as suas histórias de infância com os seus animais de estimação. 

Penso que estas histórias diz-nos bem do que era o habitat natural dos gatos, e do que poderemos fazer para protege-los mais, e evitar que outros gatos que estejam na rua sejam abandonados à sua sorte, ou sejam mortos e “desapareçam” sem qualquer final feliz.

Até hoje, o meu marido lembra com saudade desta gata Lady, cujo o destino final ficou na página incógnita de uma cidade que a viu nascer, mas que se tornou demasiado complexa para aceitar a sua liberdade de ir e vir.

Porém, deixo neste artigo o testemunho da Lady para que a sua memória me ensine ainda mais a compreender os meus gatos.


Beijinhos da Bia e até o próximo artigo.





Este blogue não assume qualquer responsabilidade pelo seu conteúdo, pois é apenas uma partilha de vida, das histórias que me contam e especialmente daquilo que vivo no dia a dia com os meus gatos. Não tenho qualquer intenção de dar conselhos, especialmente veterinários. Aliás, aconselho vivamente que sempre procure a ajuda de um veterinário se notar alguma alteração nos seus amigos felinos, e nunca desista de procurar esta ajuda especializada.

Ainda tão pouco sabemos e a ciência está sempre em contínua mutação. A única coisa que nos resta é a nossa opção de vida!

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(Rosária Gácio)

segunda-feira, 23 de abril de 2018

Quando um gato brinca... Ama estar contigo!



Um gato gosta de brincar. E quanto mais jovem for um gato, mais ele me surpreenderá com a sua forma de interação comigo.

No livro “Bia por um Triz” dediquei um dos capítulos a este modo de brincar dos gatos, que por vezes, não é muito conhecido da personalidade dos gatos, que julgava, ser independente.
"Sabias que a idade dos gatos não é como a idade dos humanos? Com seis meses de vida, ainda era como uma criança na idade dos humanos. As crianças são traquinas e gostam de brincar. E por isso, eu também gostava muito de brincar.
Eu corria pela casa dos meus donos, e por vezes, era desajeitada e tropeçava nas coisas. Numa dessas correrias, quebrei um grande vaso de barro que a minha dona gostava muito.
Ups! Ralharam comigo!" 
(Página 19 do livro “Bia por um Triz”)

Ah, quando um gato se apega muito a seu dono, ao seu tutor, ao seu grande amigo humano, ele pensa que este seu grande amigo é o seu grande companheiro de corridas e brincadeiras pela casa.

Os meus gatos desafiam-me a brincar com coisas que estavam perdidas na casa, e que só quando caem da prateleira ou de cima do armário, é que vi que ali estavam. E no espaço onde estavam, lá estão aqueles olhos felinos, tão traquinas, a dizer-me:
- Viste? Agora é a tua vez!


De que servem as coisas da casa, se não temos a companhia de quem amamos?

Um dia, aquilo quebra-se, estraga-se, pois nada, nesta vida é eterno.

Eu aprendi que as coisas materiais que temos nesta vida são passageiras.

E por vezes, aquele retrato empoeirado cai de cima do armário, ou a cortina rasga-se na ponta, enfim, tantas surpresas, que nada mais são do que a interrogação que um gato me faz:
- O que te é mais importante, ter ou ser?



Na correria do dia a dia, nesta ânsia por ter tudo do melhor, quando o melhor já temos: o amor.

Ainda ontem, eu quando ia calçar-me, encontrei uma caneta dentro do meu sapato. E quem foi? Tenho já 3 gatos adultos, e se pensava que ao ficarem adultos, deixam de brincar, enganei-me.

Aliás, se eles não brincarem, nem interagirem comigo, desconfio. Um gato quando deixa de correr, brincar e interagir com o seu tutor, algo se passa, e é melhor ver se ele está bem de saúde.

Um gato gosta de mostrar que está feliz, pois a felicidade não pode ser fechada e escondida longe de quem amamos.


No meu caso, percebi que quanto mais partilhar a minha vida com os meus gatos, mais e mais eles irão retribuir com o seu tempo comigo.

O tempo, para cada um dos meus gatos, é este tempo em que ele está a meu lado.

No início pensava que devia comprar brinquedos sofisticados para eles estarem entretidos. Porém, percebi que uma caixa de papelão, umas bolas de papel e umas argolas de plástico, eram suficientes para eles se divertirem.

Se o gato que adotei, tiver a minha companhia, nada mais importa!

Um gato ensinou-me que as coisas materiais passam... Que desejar ter algo material é pouco para nos satisfazer… 

Mas ser para alguém, é dedicar-lhe tempo e atenção. Só assim, é possível amar e ser amado.

Amar é dedicar tempo na redescoberta do outro, conhecendo-o e estando-lhe próximo.


Beijinhos da Bia e até o próximo artigo!


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quarta-feira, 11 de abril de 2018

Sempre vale a pena, quando se ama!




Neste blogue sempre partilhei um pouco da realidade que vivo no dia a dia com os meus gatos. 

Desde que a Bia começou a sentir um desconforto que se revelou na mudança do seu comportamento, e isso já lá vai para além de seis meses, começou uma verdadeira odisseia de ida a veterinários, mudança da dieta alimentar, medicação para isto e aquilo, sem falar no que a alteração do comportamento da Bia provocou nos seus outros dois companheiros felinos, Jordan e Diana Riscas.

A Diana Riscas e o Jordan ficam confusos e não percebem porque a Bia, por vezes, lhes lambe e gosta de estar perto deles, e outras vezes, rosna-lhes.


Quando a Bia sente algum desconforto que só ela conhece, ela quer ficar sozinha e longe dos outros gatos. Vai para um dos quartos da casa e isola-se. Nem mesmo quer que a tocamos. Depois de uma botija de água quente, e estar parada por um tempo, ela volta, devargarzinho, com medo que os outros lhe rosnem também.

Precisei colocar o spray de catnip nos lugares onde eles mais utilizam e estão juntos, para evitar confrontos entre eles.

Durante os últimos meses tenho acompanhado toda esta alteração e aos poucos perceber o que está a acontecer.

Os gatos não falam com nossa linguagem, mas eles falam através do seu comportamento.

Os gatos gostam de rotinas. Toda e qualquer alteração lhes provocam stress, e por vezes, o agravamento dos seus problemas de saúde.


Quem tem gatos sabe que eles não gostam de sair de casa, e mesmo a ida aos veterinários, nem que seja por doença, é muito stressante para eles.

Da última vez que a Bia foi internada, ela deixou de comer, e isso ia-lhe afetando os valores do fígado, pelo que voltou do internamento, em situação muito instável.

Levar um gato ao veterinário não é simples, pois um gato gosta do seu ambiente. Geralmente a Bia quando vai ao veterinário faz xixi na caixa transportadora porque a Bia sente pavor de sair de casa.

Mas nestes últimos meses, ela foi a várias consultas, pois precisava saber-se o porquê das suas queixas de vez em quando, e da sua alteração do comportamento.


Foram feitas radiografias, ecografia, exames ao sangue e urina, até mesmo despistou-se possíveis problemas da tiroide.


Ela ficou mais relaxada quando tomou o medicamento para as dores, mas passado algum tempo, sinto que a Bia está a sentir novamente o que inicialmente ela já se queixava.

Seja qual for o problema que a deixa ficar com desconforto, ainda não está totalmente clarificado.

E percebo que diante dos vários exames sem resposta, que a causa mais simples será o seu peso a mais e a pressão que a sua gordura faz nos seus ossinhos.

Os dois veterinários que a viram nestes últimos seis meses fizeram o seu melhor e tentaram de tudo. Por vezes, um problema é tão simples que se torna complexo descobri-lo. Ou talvez o problema seja realmente difícil e se confunda com tantos outros sintomas comuns que dão diagnósticos provavelmente acertados para a maioria dos casos que atingem os nossos amigos felinos.


Espero sinceramente que as queixas da Bia sejam provenientes do seu peso a mais, pois de dia para dia, tem perdido peso. Claro que esta perda de peso tem de ser lenta, e sinceramente, o que desejo é que ela o faça, sem perder a sua saúde.

Efetivamente, a obesidade dos gatos é um grande problema para a saúde deles, quando não têm muito espaço para correrem e praticarem exercícios. Com o passar do tempo, a sua falta de atividade aliada a grande quantidade de comida sempre disponível poderá propiciar o seu aumento de peso.

Os gatos gordinhos são fofinhos, mas isso não é conveniente para uma vida saudável como felino.

O peso pode ser um factor decisivo neste processo de instabilidade que estou a presenciar com a Bia. Mas também pode estar a mascarar o real problema que ela tem.

Entretanto, irei partilhar estas certezas e incertezas neste blogue. A página e o blogue da Bia chegam a muita gente, pessoas que já têm gatos há vários anos, cuja experiência pode ser preciosa. Sei também que muitas outras pessoas que seguem este blogue e página do facebook têm também conhecimentos veterinários, e quem sabe, já viram casos como o da Bia.

Não podemos desistir, sei disso por experiência própria.

Quando me disseram que a minha cegueira era progressiva, que não era previsível quanto tempo ainda tinha de visão, fui a muitos médicos e a maioria deles deu a mesma sentença desanimadora.

Mas não desisti. Nem tudo o que nos move são remédios de farmácia e diagnósticos acertados. É preciso mais! Temos de ter uma força de vontade que não depende de expectativas exteriores, um querer que avança, apesar dos ventos contrários e desanimadores.

Foi assim que escrevi o livro “Bia por um Triz”.

E por isso, digo todos os dias digo à Bia: - Hei de descobrir o que te causa as dores!

Coloco-lhe uma botija com água quente, e ela estica-se toda, e olha-me nos olhos, dando-me turrinhas, lambendo-me as mãos, agradecendo-me…

Como disse um dia, o poeta Fernando Pessoa, - “Tudo vale a pena quando a alma não é pequena!”

E quando se partilha a vida com um gato, eles ensinam-nos, que na vida, quando se ama, a nossa alma nunca pode ser pequena pois amar sempre vale a pena!


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terça-feira, 13 de março de 2018

Os gatos são seres eternamente gratos à vida.


“Os gatos são seres eternamente gratos à vida. Não importa o quanto de mal lhes possa ter acontecido, porque eles são capazes de regenerar as suas emoções, e estarem ao mesmo tempo sensíveis a tudo o que se passa à sua volta."
(Prefácio do livro “Bia por um Triz” pág. 7)

Desde que adotei a minha primeira gata, a Pantufa, muito do que pensava sobre os gatos começou a cair.

Alguns dos preconceitos e mitos que são criados em torno dos gatos é que eles são seres vingativos, que quando menos se espera, estarão ali para retribuir-te o mal que lhe fizemos.

No entanto, à medida que fui tendo a companhia destes felinos, percebi bem que eles têm uma inclinação para perdoar para além do que humanamente e racionalmente previsto.

Mesmo que naqueles dias mais nervosos, nós não tenhamos tempo para estar com eles, percebi que isto de tempo e espaço nos gatos a ocupar a sua memória vai para além das suas emoções e vontades.

O verdadeiro amor não é uma simples emoção, que consoante o tempo e o nosso estado de espírito, muda e se altera conforme nos dá mais jeito.

E o tempo presente é uma prenda que nos é oferecida dia após dia.

Tudo o que nos aconteceu pode até ser muito triste, mas o que tens é o dia de hoje.

E para um gato, mesmo que tenha estado na rua e sofrido muitas desventuras, à medida que vai percebendo que está seguro, e que uma nova vida recomeça, o seu coraçãozinho vai, aos poucos, refazer as suas emoções.

Por vezes, em alguns gatos, demora um pouco mais este caminho de reconstrução.


O meu gato Jordan, quando veio para minha casa, no início não correspondia muito aos mimos que lhe eram feitos. Claro que deixava fazer festas, mas por pouco tempo. De repente, saltava e ia para o seu canto.

No entanto, estes minutos de mimos foram aumentando cada vez mais, de dia para dia.

Aos poucos, ele foi percebendo que na nossa casa ele era amado.

Após mais de três anos, o Jordan, atualmente é um dos gatos que mais gosta que lhe deem atenção. Aliás, até gosta de dormir encostado em minha mão, depois de me pedir festas com uma das patas.


O que mais gosto no Jordan é essa sua maneira de pedir mimos. Com a pata, toca-nos, com cuidado para não nos magoar.

A Bia, por sua vez, desde os primeiros dias, deixou-se acarinhar por mim. Parece um eterno bebé que se enrosca no nosso colo.


Por sua vez, a minha Diana Riscas tem uma dedicação e gratidão muito para além do que alguma vez sonhava receber de um felino. Ela gosta muito de encostar o seu focinho na minha cara e sente-se muito bem quando tem a minha atenção.


Claro que no início, eu não percebia estes pequenos gestos que eles me faziam. Aliás, julgava que quando aconteciam, era um acaso.

No entanto, esta ação diária de recomeçar, de acreditar que a partir de hoje, tudo pode ser reconstruído, foi uma lição que me foi ensinada por eles.

O passado não deve inibir a nossa capacidade de amar e fazer bem aos que nos rodeiam.

Então viva este dia como se fosse o primeiro da sua vida!

Beijinhos da Bia e não se esqueçam de fazer parte do grupo do Facebook



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