segunda-feira, 18 de novembro de 2019

Tenha esperança e ame! De resto, tudo se resolve.




“Há muito tempo que não escrevo o que se passa comigo. Nestes últimos meses, a mudança de casa e todas as alterações que foram sendo feitas me fez pensar muito sobre o que é a vida.

Sim, a vida. O que é a vida?

Há cerca de um ano e meio estávamos num pequeno apartamento. Para além disso, andei de veterinário em veterinário por causa de um certo incómodo que tinha junto ao rabinho. Houve uma altura em que fiquei internada, e já me tinham dado sentença de morte: - Nada a fazer!!!! Estava doente e parecia que ia morrer…

Para além disso, os meus companheiros de casa começaram a tratar-me mal e eu tinha de estar num quarto isolada de todos na maior parte do tempo.

Tudo parecia de mal a pior.
Foi então que fomos colocados numa nova casa. Barulho, pessoas estranhas e um vai e vem de novidades todos os dias… Os meses passaram e o que fiz foi viver… sim, viver dia após dia.

E então eis que volvidos estes meses, dei-me conta que a vida é assim uma oportunidade única.

Sim, a vida é uma oportunidade única para vivermos a cada dia, com esperança.

Mesmo que tudo pareça que vai dar errado, e mesmo que todos à nossa volta pareçam distantes da nossa dificuldade, o que realmente interessa na vida?

O que interessa nesta vida é que a precisamos viver, dar passos em frente, apesar das contrariedades, sem perder a esperança.
Como se dizia antigamente, a esperança é a última que deve morrer no nosso coração. 

Mas para além da esperança, temos de amar.

Sim, amar. Ter esperança, só vale a pena, se amamos.

Quando estava sozinha naquele quarto do antigo apartamento, cheia de dores, ficava feliz por ver a minha tutora nem que fosse por alguns momentos ao dia.

Não percebia o que estava a acontecer, e muito menos por quê … 

Percebi que não valia a pena divagar por estas perguntas quando as respostas pareciam doer mais… Optei por viver, dia após dia, sempre acreditando, esperando e amando.
Atualmente estamos todos juntos.  Seja lá o que nos deu na altura para estarmos a brigar uns com os outros, tudo passou e uma nova etapa foi iniciada.

Quanto à minha saúde… nem sei mesmo o que tinha, pois agora quero é viver…

Viver e amar, pois não sabemos quanto tempo ainda nos resta. Nunca se esqueça que a vida é uma oportunidade única e irrepetível.

Por isso, tenha esperança e ame! De resto, tudo se resolve.
(Bia - 2019/11/19)




"Este blogue não assume qualquer responsabilidade pelo seu conteúdo, pois é apenas uma partilha de vida, das histórias que vivo no dia a dia com os meus gatos. Não tenho qualquer intenção de dar conselhos, especialmente veterinários. Aliás, aconselho vivamente que sempre procure a ajuda de um veterinário se notar alguma alteração nos seus amigos felinos, e nunca desista de procurar esta ajuda especializada. Ainda tão pouco sabemos e a ciência está sempre em contínua mutação. A única coisa que nos resta é a nossa opção de vida!" (Rosária Grácio)


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(Rosária Gácio)

quarta-feira, 3 de julho de 2019

Jordan - Um momento a teu lado



Neste tempo de correria  em que os compromissos se empilham, não temos tempo para parar e estar um pouco com quem está ao nosso lado.

Após os últimos meses de mudança de casa, finalmente estou a ter um pouco de calma junto aos meus gatos...

Eles passaram por muitas mudanças, entre o ir e vir dos que trabalharam nas obras e os barulhos diários  que começavam bem cedo e terminavam ao fim da tarde.

Quando o Jordan vem me pedir mimos, eu só tenho de agradecer a Deus por ter esta oportunidade de estar assim, em intensa paz com ele.

Este carinho que dou ao Jordan é uma espécie de calmante natural, em que o tempo para por instantes a sua euforia para estar assim neste silencio relaxante de um gato que se deita a teu lado e aguarda o teu carinho.

Amar os animais é dar-lhes um pouco do nosso tempo e se pudermos dar-lhes cada vez mais tempo, a nossa saúde é que ganha  pois um pouco de paz é preciso  para nos restabelecermos. 

Um bom dia de paz para ti!


terça-feira, 28 de maio de 2019

Só por amor, fico aqui!



Há cerca de algumas semanas, fiz uma divisão no meu quintal para que a Mariana pudesse estar à vontade e fazer os seus passeios sem o risco de estar em contacto com os meus outros três gatos.

Como já contei em artigos anteriores, a Mariana fez exame de sangue quando foi encontrada, e verificou-se que ela tem a Sida dos gatos.

A Sida dos gatos não passa aos humanos, mas pode contagiar outros gatos por meio das mordidas e relações sexuais, bem como toda e qualquer ferida que envolva contacto de sangue.

Estive a estudar muito sobre esta doença, e há quem admita que o risco de contágio é muito pequeno. Conheci casos em que um gato infectado é capaz de conviver por vários anos com outro não infectado, e nunca transmitir a doença.

Brevemente, a Mariana será castrada e penso que assim será mais difícil ocorrer relações sexuais com o meu Jordan. A castração pode também favorecer um ambiente sem tantas guerras territoriais.

Por vezes, fazer a separação entre os gatos que tanto amamos, pode causar muita dor, e confesso que foi complicado no início quando tive de deixar a Mariana sozinha.

No entanto, a Mariana  também foi ocupando o seu espaço, e percebi que ela é muito corajosa e dona de si. 

Por vezes, deixo ela conviver um pouco com o Jordan que é um gato muito amistoso com novos gatos. No entanto, tenho de estar sempre atenta, porque a Mariana quer sempre estar atrás dele a brincar de morder, e tenho receio que o Jordan a morda a valer, já que ele é o mais idoso da casa e já não tem genica para estas brincadeiras de jovens gatos.

Assim sendo, consegui fazer uma divisão onde todos se vêem uns aos outros, e ao mesmo tempo separados. 

De manhã, depois de deixar os outros darem o seu passeio pelo quintal, solto a Mariana da sua casinha onde mora.

Ela desata a correr e começo então a cuidar das plantas, enquanto ela vai de um lado para o outro, fazendo-me companhia de vez em quando.

Percebo que a Mariana gosta muito de interagir comigo, já que não tem mais ninguém para brincar. No entanto, o quintal permite-lhe saltar de um lado para o outro. A laranjeira é o seu pouso predileto, onde ela salta de um galho para o outro, num instante.

Certo dia tive de quebrar a rotina dos doutros dias. Soltei a Mariana, mas tive de a deixar sozinha, porque tinha algumas coisas ainda a fazer em casa.

Os gatos gostam de rotina e para eles, quando fazemos certas coisas, parece-lhes que assim deve ser todos os dias. 

Por isso, a Mariana, quando se viu sozinha no quintal, começou a miar, como que a perguntar-me: - E então? Não vens?

Eu disse-lhe para esperar um pouco que ainda me faltava arrumar umas coisas em casa.

Mas a Mariana continuava a reivindicar a minha companhia.
A dado momento, dei com ela a subir a vedação, quase a ultrapassá-la como que a dizer-me: - Se tu não vens, vou eu aí!

Claro que fiquei assustada, especialmente porque a vedação é alta e ainda mais, a Diana Riscas poderia dar-lhe uma corrida, e ia ser uma confusão geral.

A tempo, a fiz voltar para o chão e fui ter com ela, tratando do jardim, como habitualmente.

E então após uma hora ali com ela, em que fui fazendo isto e aquilo no quintal, é que então deixei-a sozinha, sem qualquer reclamação, ficando o resto da tarde ali a brincar no quintal.

Hoje percebi que aquela vedação não é obstáculo para a Mariana. Então porque ela não o subiu antes?

Só tenho uma resposta a esta pergunta… Um gato, só deixa ficar contigo, por amor. 

Não existe outra resposta possível que possa justificar que um gato se deixe ficar sem ser por amor.

Quando um gato se sente bem ao teu lado, ele obedece e comporta-se por te ama.

Se a Mariana quisesse fugir, já tinha fugido de perto de mim. Mesmo com a vedação toda a volta, a única coisa que a impede de ir embora é por me ama e quer estar ao meu lado.

E já percebi que ela salta a vedação e vai para o telhado num instante, o que me tem inquietado muito. Passado algum tempo ela aparece mas é um risco que eu, neste momento, não tenho como evitar, senão a colocando na sua casinha, sem ir ao quintal, especialmente quando tem o cio.

E à noitinha, quando ela se recolhe na casinha só dela, não posso deixar de ter o momento de carinho com ela, em que faço festas nas orelhas e pescoço, enquanto ela se agarra às minhas mãos.

E ela então deixa-se ficar. Por vezes, chega um ponto que mia quase a dizer-me: - Podes ir para casa, pois eu já estou bem e prontinha para dormir… Obrigada.

E assim deixo-a, enquanto seus olhinhos olham-me ternamente, e ainda digo-lhe: - Até amanhã, Mariana.

Mariana vai ser castrada e nessa altura vai fazer novo exame de sangue para ver se o diagnóstico da Sida ainda se mantém. Sim, há probalidades do teste de sangue antes dos seis meses não ser definitivo. Só depois dos seis meses, é possível confirmar com certeza se um gato está definitivamente infectado com a Sida dos gatos.

Já soube de casos em que o teste depois dos seis meses, deu negativo. E assim, o gato não tinha a Sida dos gatos conforme foi diagnosticado antes dos seis meses.

Mas também, pode o teste dar positivo novamente e a Mariana ter esta doença que afeta tantos gatos de rua.

Um gato infectado com Sida dos gatos pode ser saudável a vida toda, se for bem tratado com uma boa alimentação. Nem sempre esta doença poderá ser fatal, e muitos vivem por vários anos sem que a doença se manifeste. 

A Mariana já recebeu a vacina própria para gatos com Sida, e agora prepara-se para a castração.

Apesar de todas estas preocupações e cuidados, a Mariana é uma bênção que me apareceu no último Natal. 

Já aprendi muito com a Mariana. Ela conseguiu resistir, após ter sido encontrada tão fragilizada, com infecção nos olhos  e no nariz. (Veja aqui o vídeo destes primeiros meses da Mariana),

Há sempre esperança, mesmo que as probalidades indiquem o contrário.

Só o amor poderá fazer a diferença.


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"A melhor forma de ajudar os animais é adotando-os."
(Rosária Gácio)


terça-feira, 30 de abril de 2019

Amor de gato






Partilho um vídeo com a Mariana... esta gatinha que nem parece a mesma desde que me adotou... 

Partilho a sua história não para falar de mim, mas sim que existem muitas "Marianas" perdidas e abandonadas na rua... 

Estas "Marianas" que estão abandonadas nas ruas podem estar até doentes e e há quem pense que não vale a pena salva-las.

Mas sempre vale a pena retira-los da rua, cuidar da sua saúde e alimentação... e então eles se revelam tão gratos... 

Não há nada que pague o amor que o gato nos retribui...

terça-feira, 23 de abril de 2019

Ah, se o meu gato fosse tão meigo quanto o seu!





Na nova casa, alguns vizinhos ficam entusiasmados de ver o Jordan sempre afável e carinhoso para com todos. Estranhos ou não, lá vai ele cheirar e roçar-se um pouco na roupa, e às vezes, se não lhe dão atenção, com a pata, começa a pedir mimos como que a dizer: - Estou aqui, não me fazes festas?

Num desses dias, um vizinho que me veio visitar disse:
“- Ah, se o meu gato fosse tão meigo quanto o seu!”

Realmente ver assim o gato Jordan, que ultimamente tem sido apelidado de gato-cão, por ser tão grande e andar sempre atrás das pessoas, que cá vem a casa, não imagina como ele chegou até nós, e  nem como foram os primeiros tempos do Jordan conosco.

Quem vê agora o Jordan, deve pensar que um gato se torna assim meigo por acaso, ou porque sempre foi assim, e por isso o adotamos.

Por isso vou contar um pouco de como o Jordan apareceu na nossa vida…
Depois de adotarmos a Bia, percebemos que tínhamos em casa duas gatas muito sociáveis. Foi para nós impressionante como que a Bia, adotada já adulta, e sendo uma gata de rua, deu-se tão bem com a Lady, também adulta e adotada de pequenina e que estava na nossa casa já há mais de dez anos. Eu já contei um pouco de como foi essa história de amizade entre a Bia e a Lady neste blogue. Se ainda não leu estes artigos, convido-lhe a conhecer esta linda história clicando aqui.

Por isso, ao ver que tudo correu tão bem entre a Bia e a Lady, resolvemos adotar outra gata… pelo menos, essa era a nossa intenção…

Quando fomos ver alguns gatos já adultos para adoção, um especialmente, de cor cinza e olhos azuis, agarrou-se ao meu marido, com tanto carinho que parecia já nos conhecer há muito tempo…

Mas era um gato e não uma gata.

Meu marido tinha adotado em seus tempos de criança, um gato, que por vários motivos, talvez até a falta de castração que na altura ainda não era muito divulgada, fez muitas asneiras em casa, especialmente xixi fora da caixa, obrigando a que o gato fosse dado a outra família com um quintal por causa da sua “falta de higiene”.

E assim, o meu marido e seus pais só adotaram gatas desde esta má experiência com gatos machos…

Porém, quando aquele gato cinzento abraçou o meu marido, e por mais boa impressão que ele causou, não foi o suficiente para o adotarmos.

Voltamos para casa. 

Porém, os dias passaram, e a imagem daquele gato que se abraçou ao meu marido não nos saiu mais do pensamento.

Por mais que quiséssemos evitar, não foi possível esquecer a ternura daquele grande gato cinzento, já adulto que ali estava para adoção.

E foi assim que adotamos o Jordan.
Apesar do imenso carinho que o Jordan dedicou-nos no primeiro contacto, depois que chegou a nossa casa, tornou-se um gato reservado e de poucas festas.

Mal chegou em casa, deu-se logo bem com a Bia e a Lady, e já todos dormiam juntos passada a primeira semana.

O Jordan é um gato muito sociável com novas gatas especialmente. Atualmente, é o único que já cumprimenta e se dá com a Marina, a mais nova da casa.

Claro que outros gatos virem ao nosso quintal, isso já é outra história… Mas desde que conheço o Jordan, ele gosta muito de gatas, mesmo sendo novas na casa …

Mas voltando ao tempo em que o Jordan foi adotado, posso dizer que nos admiramos bastante pelo facto de em casa ter-se tornado um gato mais isolado das pessoas, especialmente as estranhas que nos vinham visitar.

Mesmo quando lhe damos o nome, só se dava pelo “psssppsss” como se faz aos gatos de rua.

Sim, o Jordan também andava na rua, antes de ser colocado para adoção. Não se sabe bem a idade dele porque já era adulto quando foi encontrado a vaguear num parque de merendas como nos disseram.

Outra peculiaridade é que o Jordan detestava estar ao colo. Quando o tentávamos agarrar ao colo, estremecia e dava um salto que até podia nos magoar com as unhas.

No início, o Jordan também tinha o vício de morder, especialmente as outras gatas quando estavam aonde ele queria estar. Ou então, se brincávamos muito com ele, de uma hora para a outra, nos mordia.

Com o tempo, eu comecei a usar a frase “Não faz!” que é a frase que eu uso para indicar quando os meus gatos fazem algo que não gosto. Depois de lhe dizer “não faz” algumas vezes, fico sem olhar ou fazer carinho ao gato que fez algo de errado, por algum tempo, para que ele perceba que não gostei do que ele fez.
Foi assim que o Jordan foi percebendo que quando se portava bem, ganhava carinho, e quando se portava mal, era ignorado.

Aos poucos, o Jordan foi se deixando estar ao colo, cada vez mais, por mais tempo.

Depois foi interagindo conosco de uma maneira totalmente diferente do que faz as outras gatas.

O jordan, quando precisa de algo, faz questão de colocar a pata para nos dizer que está ali.

No início, quando ele colocava a pata, magoava-nos, pois o Jordan é um gato robusto e suas unhas são aguçadas.  Mas aos poucos, fui dizendo que “assim, não!” e, após várias tentativas frustradas, ele aos poucos percebeu como colocar a pata sem nos magoar.

Apesar de vez em quando, esquecer-se e ainda abrir a boca para querer morder, depois de lhe dizer-lhe: - Para!, não chega a morder, quando se apercebe que vai magoar-nos ou magoar a Bia ou a Diana.

Nos últimos tempos, tenho percebido que o Jordan cada vez mais quer o seu espaço junto a nós, pedindo o seu momento de mimos, deixando-se no colo como se ainda fosse um bebé … 

Gosta imenso de festas na sua barriga e no pescoço. E quando dou por mim, ele agarra com as patas a minha mão para adormecer assim enroscado, com a barriga para cima, parecendo sorrir de contentamento…

Por que o Jordan se tornou este gato tão meigo?

Penso que os gatos são capazes de mudar o seu comportamento porque nos amam…  O Jordan é um bom exemplo disso. Se olharmos para o Jordan, ele é um gato muito grande e forte, com afiadas garras, e não deixa que lhe cortem as unhas.

O Jordan não gosta de medicamentos, e nem de veterinários… Houve uma altura em que levei o Jordan a um veterinário que teve medo de lhe dar a vacina e perguntou-me: - Ele é dócil? E nem lhe conseguiu dar o desparasitante, porque percebeu que o Jordan só confia em nós e torna-se desconfiado de quem se aproxima e não conhece.

Por isso, se o Jordan é um gato dócil, é porque nos ama tanto que não nos quer deixar, e nem quer que o deixemos. Penso que este é o segredo de um gato dócil.

Ame o seu gato e dê o tempo que ele precisa para que ele perceba que pode confiar em si e tenho certeza que vai se surpreender …

Eu, pessoalmente, cada vez mais me surpreendo com o Jordan e penso que esta história de um gato que era desconfiado e depois lentamente tornou-se um gato companheiro não é única…

Por isso, espero que esta partilha de vida possa fazer de muitos “Jordan” que andam aí abandonados à sua sorte, por serem ariscos e desconfiados, talvez sejam na verdade, gatos tão dóceis que apenas escondem o que são por medo e falta de confiança no amor humano.

Beijinhos do Jordan, da Bia, da Diana e da Mariana.
(Texto de autoria de Rosária Grácio)

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 "A melhor forma de ajudar os animais é adotando-os."
 (Rosária Gácio)