terça-feira, 30 de abril de 2019

Amor de gato






Partilho um vídeo com a Mariana... esta gatinha que nem parece a mesma desde que me adotou... Partilho a sua história não para falar de mim, mas sim que existem muitas "Marianas" perdidas e abandonadas na rua... podem estar até doentes e acharmos que não vale a pena salva-los,,,, Mas sempre vale a pena retira-los da rua, cuidar da sua saúde e alimentação... e então eles se revelam tão gratos... não há nada que pague o amor que o gato nos retribui...

terça-feira, 23 de abril de 2019

Ah, se o meu gato fosse tão meigo quanto o seu!





Na nova casa, alguns vizinhos ficam entusiasmados de ver o Jordan sempre afável e carinhoso para com todos. Estranhos ou não, lá vai ele cheirar e roçar-se um pouco na roupa, e às vezes, se não lhe dão atenção, com a pata, começa a pedir mimos como que a dizer: - Estou aqui, não me fazes festas?

Num desses dias, um vizinho que me veio visitar disse:
“- Ah, se o meu gato fosse tão meigo quanto o seu!”

Realmente ver assim o gato Jordan, que ultimamente tem sido apelidado de gato-cão, por ser tão grande e andar sempre atrás das pessoas, que cá vem a casa, não imagina como ele chegou até nós, e  nem como foram os primeiros tempos do Jordan conosco.

Quem vê agora o Jordan, deve pensar que um gato se torna assim meigo por acaso, ou porque sempre foi assim, e por isso o adotamos.

Por isso vou contar um pouco de como o Jordan apareceu na nossa vida…
Depois de adotarmos a Bia, percebemos que tínhamos em casa duas gatas muito sociáveis. Foi para nós impressionante como que a Bia, adotada já adulta, e sendo uma gata de rua, deu-se tão bem com a Lady, também adulta e adotada de pequenina e que estava na nossa casa já há mais de dez anos. Eu já contei um pouco de como foi essa história de amizade entre a Bia e a Lady neste blogue. Se ainda não leu estes artigos, convido-lhe a conhecer esta linda história clicando aqui.

Por isso, ao ver que tudo correu tão bem entre a Bia e a Lady, resolvemos adotar outra gata… pelo menos, essa era a nossa intenção…

Quando fomos ver alguns gatos já adultos para adoção, um especialmente, de cor cinza e olhos azuis, agarrou-se ao meu marido, com tanto carinho que parecia já nos conhecer há muito tempo…

Mas era um gato e não uma gata.

Meu marido tinha adotado em seus tempos de criança, um gato, que por vários motivos, talvez até a falta de castração que na altura ainda não era muito divulgada, fez muitas asneiras em casa, especialmente xixi fora da caixa, obrigando a que o gato fosse dado a outra família com um quintal por causa da sua “falta de higiene”.

E assim, o meu marido e seus pais só adotaram gatas desde esta má experiência com gatos machos…

Porém, quando aquele gato cinzento abraçou o meu marido, e por mais boa impressão que ele causou, não foi o suficiente para o adotarmos.

Voltamos para casa. 

Porém, os dias passaram, e a imagem daquele gato que se abraçou ao meu marido não nos saiu mais do pensamento.

Por mais que quiséssemos evitar, não foi possível esquecer a ternura daquele grande gato cinzento, já adulto que ali estava para adoção.

E foi assim que adotamos o Jordan.
Apesar do imenso carinho que o Jordan dedicou-nos no primeiro contacto, depois que chegou a nossa casa, tornou-se um gato reservado e de poucas festas.

Mal chegou em casa, deu-se logo bem com a Bia e a Lady, e já todos dormiam juntos passada a primeira semana.

O Jordan é um gato muito sociável com novas gatas especialmente. Atualmente, é o único que já cumprimenta e se dá com a Marina, a mais nova da casa.

Claro que outros gatos virem ao nosso quintal, isso já é outra história… Mas desde que conheço o Jordan, ele gosta muito de gatas, mesmo sendo novas na casa …

Mas voltando ao tempo em que o Jordan foi adotado, posso dizer que nos admiramos bastante pelo facto de em casa ter-se tornado um gato mais isolado das pessoas, especialmente as estranhas que nos vinham visitar.

Mesmo quando lhe damos o nome, só se dava pelo “psssppsss” como se faz aos gatos de rua.

Sim, o Jordan também andava na rua, antes de ser colocado para adoção. Não se sabe bem a idade dele porque já era adulto quando foi encontrado a vaguear num parque de merendas como nos disseram.

Outra peculiaridade é que o Jordan detestava estar ao colo. Quando o tentávamos agarrar ao colo, estremecia e dava um salto que até podia nos magoar com as unhas.

No início, o Jordan também tinha o vício de morder, especialmente as outras gatas quando estavam aonde ele queria estar. Ou então, se brincávamos muito com ele, de uma hora para a outra, nos mordia.

Com o tempo, eu comecei a usar a frase “Não faz!” que é a frase que eu uso para indicar quando os meus gatos fazem algo que não gosto. Depois de lhe dizer “não faz” algumas vezes, fico sem olhar ou fazer carinho ao gato que fez algo de errado, por algum tempo, para que ele perceba que não gostei do que ele fez.
Foi assim que o Jordan foi percebendo que quando se portava bem, ganhava carinho, e quando se portava mal, era ignorado.

Aos poucos, o Jordan foi se deixando estar ao colo, cada vez mais, por mais tempo.

Depois foi interagindo conosco de uma maneira totalmente diferente do que faz as outras gatas.

O jordan, quando precisa de algo, faz questão de colocar a pata para nos dizer que está ali.

No início, quando ele colocava a pata, magoava-nos, pois o Jordan é um gato robusto e suas unhas são aguçadas.  Mas aos poucos, fui dizendo que “assim, não!” e, após várias tentativas frustradas, ele aos poucos percebeu como colocar a pata sem nos magoar.

Apesar de vez em quando, esquecer-se e ainda abrir a boca para querer morder, depois de lhe dizer-lhe: - Para!, não chega a morder, quando se apercebe que vai magoar-nos ou magoar a Bia ou a Diana.

Nos últimos tempos, tenho percebido que o Jordan cada vez mais quer o seu espaço junto a nós, pedindo o seu momento de mimos, deixando-se no colo como se ainda fosse um bebé … 

Gosta imenso de festas na sua barriga e no pescoço. E quando dou por mim, ele agarra com as patas a minha mão para adormecer assim enroscado, com a barriga para cima, parecendo sorrir de contentamento…

Por que o Jordan se tornou este gato tão meigo?

Penso que os gatos são capazes de mudar o seu comportamento porque nos amam…  O Jordan é um bom exemplo disso. Se olharmos para o Jordan, ele é um gato muito grande e forte, com afiadas garras, e não deixa que lhe cortem as unhas.

O Jordan não gosta de medicamentos, e nem de veterinários… Houve uma altura em que levei o Jordan a um veterinário que teve medo de lhe dar a vacina e perguntou-me: - Ele é dócil? E nem lhe conseguiu dar o desparasitante, porque percebeu que o Jordan só confia em nós e torna-se desconfiado de quem se aproxima e não conhece.

Por isso, se o Jordan é um gato dócil, é porque nos ama tanto que não nos quer deixar, e nem quer que o deixemos. Penso que este é o segredo de um gato dócil.

Ame o seu gato e dê o tempo que ele precisa para que ele perceba que pode confiar em si e tenho certeza que vai se surpreender …

Eu, pessoalmente, cada vez mais me surpreendo com o Jordan e penso que esta história de um gato que era desconfiado e depois lentamente tornou-se um gato companheiro não é única…

Por isso, espero que esta partilha de vida possa fazer de muitos “Jordan” que andam aí abandonados à sua sorte, por serem ariscos e desconfiados, talvez sejam na verdade, gatos tão dóceis que apenas escondem o que são por medo e falta de confiança no amor humano.

Beijinhos do Jordan, da Bia, da Diana e da Mariana.
(Texto de autoria de Rosária Grácio)

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  O livro "Bia por um Triz" pode ser adquirido em www.chiadoeditora.com/livraria/bia-por-um-triz 

 "A melhor forma de ajudar os animais é adotando-os."
 (Rosária Gácio)

quarta-feira, 3 de abril de 2019

E a Bia, como está?





Muitas pessoas têm perguntado porque eu não tenho estado muito nas redes sociais e tenho escrito poucos artigos neste blogue.

Não é falta de assunto, antes pelo contrário. Desde que mudamos de casa, tenho sentido cada vez mais o quanto toda esta alteração do espaço renovou as nossas vidas.

Tenho muito que contar e escrever...

As obras na casa nova finalmente acabaram, mas as arrumações não. A par disso, no mês de fevereiro perdi a minha querida tia que morava perto dos meus pais e logo a seguir a minha grande amiga Milú que era um exemplo de superação para mim porque apesar de ser cega, ensinou-me que a falta de visão física não nos tira a autonomia.

Este luto que nos últimos tempos vivi, a par de toda a agitação que envolve limpar e arrumar tudo, mesmo assim, tento aproveitar todos os tempos livres para conviver com os meus gatos.

Neste momento também temos 3 galinhas: a Rosa, a Rita e a Coragem.

Também temos dois casais de canários e 3 agapornis.

Porém, toda esta dinâmica de aves e gatos não é estranho para a Bia, o Jordan e a Diana Riscas. Na antiga casa, sempre tivemos canários.

O problema é a Mariana.


Sim, a Mariana está agora uma gata muito ativa, cheia de vida, e muito… muito curiosa. Por isso, por mais que lhe peçamos, ela não deixa de subir até a gaiola porque é um instinto mais forte que ela.

São os seus instintos e a sua curiosidade.

Os agapornis, apesar de serem aves, têm um bico aguçado e pode realmente magoar os curiosos de quatro patas que se aproximarem deles.

Entretanto, ainda mantenho a Mariana separada dos outros três gatos por uma razão ainda mais forte. Ao fazer os exames, detectou-se que ela tem a Sida dos gatos. Ainda vai refazer o teste aos seis meses, mas entretanto, entrou em cio e terá de ser castrada ainda mais cedo do que se previa.


Já estive a ler muito sobre a Sida dos gatos, e há quem diga que as probabilidades de contágio são mesmo pequenas quando os gatos se dão bem uns com os outros e não há brigas e nem relações sexuais.

Mas prefiro ser cautelosa nestas coisas de probabilidades e estimativas.

A Mariana já nos adotou e tem de ter o seu espaço.


Por isso, o que tenho tentado nestes últimos meses é pensar numa alternativa de os manter separados, com toda a segurança.


Por isso, desculpo-me se tenho tido pouco tempo para escrever, mas penso que este blogue deve ser uma partilha de vida e não uma partilha de opiniões.

Desde que criei este blogue, o meu interesse é partilhar esta boa notícia de adotarmos um gato e ter um amigo para toda a vida.

É possível esta convivência entre os seres humanos e estes felinos que nos impressionam muito com a sua forma de nos amar.

Não podemos é desistir dos desafios da vida. O luto das pessoas que amamos chamam-nos a atenção para o quanto a nossa vida é passageira e só o amor é que transforma o mundo e constrói. De resto, tudo passa e nos é tirado, quando menos esperamos.

Então aproveitemos muito este momento para olhar quem está ao nosso lado, que nos olha e precisa de nós. É este quem deve ser o foco da nossa vida.

Até o próximo artigo e façam os outros felizes hoje!


segunda-feira, 21 de janeiro de 2019

O frio que gela o meu nariz



Quero começar este primeiro artigo do ano, a desejar a todos os amigos da Bia e seguidores deste blogue, os sinceros votos de muita paz, saúde e alegria neste novo ano que começa, especialmente junto aos nossos felinos.

Cada vez mais, sinto que a mudança de casa fez muito bem a todos os meus gatos. Ainda ontem, fiquei feliz ao ver a Bia a saltar as escadas com rapidez quando antes ela saltava cada degrau com tanta dificuldade. 

Os gatos precisam de estar ativos. E por vezes, basta pequenas coisas para os fazerem movimentar-se de um lado para o outro.

Porém, nestes últimos tempos, o frio aqui tem chegado a temperaturas muito baixas (cerca de 4 graus). E para além do frio, vieram as chuvas muito geladas que quase parecem gelo a cair. 

Noto que cada um dos meus gatos reage de uma maneira diferente ao frio, mas é importante que eles se mantenham quentes, e por isso tenho estado atenta.

A Bia tem sempre o seu narizinho gelado e por isso gosta de tapar o seu nariz nos cobertores para aquecer-se.

Sinto que o Jordan é o que sente mais o frio, talvez por ser o mais velho em idade. Tem se mantido na cama nos dias chuvosos. Vai dar a sua voltinha no quintal, mas volta depressa e cobre-se no meio dos cobertores.


A Diana Riscas não gosta do frio e nem da chuva, mas teima em querer ir para o quintal, mesmo assim. Por vezes, tenho de mantê-la dentro de casa, porque senão ela fica com as patas molhadas e geladas, miando sem parar.


A Mariana tem agora uma manta elétrica que mantém sempre uma mesma temperatura. Antes colocava botijas quentes mas durante a noite, quando as temperaturas estavam mais baixas, não conseguia mante-la quente. Por enquanto tenho de a manter separada dos meus outros gatos, enquanto não tiver certeza da sua condição de saúde. Ela devora tudo o que coloco para comer. Tenho lhe dado a medicação que a veterinária receitou. Espirra de vez em quando, mas mantém-se muito ativa e está a crescer depressa.

É preciso ter-se cuidado com o frio pois os gatos também podem adoecer nestes tempos de inverno, especialmente senão estiverem bem alimentados e resguardados do frio.

O que mais os alegra é quando se encostam a mim, quando vou para a cama, e acreditem que não se sente frio quando se tem um gato por perto, encostado a nós.

Penso que este tempo de inverno também é uma grande oportunidade de aumentar a nossa convivência com os nossos amigos felinos. 

Ao mesmo tempo, eles acabam por se juntar e interagir mais entre eles, reforçando o seu companheirismo.

Por vezes, eles disputam o lugar mais próximo a nós porque também nos consideram seus grandes amigos.  Por isso, devemos indicar a eles que gostamos de todos da mesma forma pois os amamos a todos por igual. O inverno pode ser um tempo favorável para reforçar estes laços de convivência, pois nada melhor do que estar perto de quem mais amamos.

“O frio é esta sensação que molha as nossas patas e nos gela o corpo todo. Eu bem gostaria de ir passear no quintal, mas esta chuva não me deixa sair. Mio aflita à minha tutora para ela fechar a porta a todo este frio que está lá fora, mas ela não me ouve, por quê? Ah, mas quando a minha tutora se põe a escrever ao computador, eu vou até aos pés dela e deito-me encima e pronto. Já estou quentinha. Estico as minhas patinhas e fico atenta. Não gosto muito que a Bia ou o Jordan se ponham mais junto à minha tutora do que eu… Quando vejo a Bia a ir se deitar encima do braço da minha tutora, eu vou lá, caminho encima da Bia e deito-me entre ela e a minha tutora. Ah, mas a minha tutora não gosta que eu faça estas coisas… Diz-me que não posso ser ciumenta. Que tenho de respeitar a Bia e o Jordan e que eles também têm direitos.  Bem, isto de direitos e deveres, ainda não percebi muito bem como funciona. Mas é melhor não arreliar a minha tutora, pois gosto muito dela."
(Diário da Diana Riscas – Janeiro de 2019)


“O tempo tem estado frio, mas eu gosto de ir correr um pouquinho pelo quintal. Quando vem a chuva, corro depressa e vou para casa. Depois vou para cima da cama e deito-me encima dos cobertores. Ah, como gosto quando os meus tutores estão na cama. Vou para cima deles e ponho-me a marchar. Depois ronrono de satisfação. Meu tutor diz que ronrono alto. Sou assim. O que não gosto é que eles se mexam e me tirem do quentinho… Rosno e fico chateada. Sim, fico chateada. Tenho tanto trabalho para aquecer o meu lugarzinho e depois tenho de sair dali, porquê? Passado um tempo volto devarzinho e pronto. Lá estou novamente encima dos dois e faço questão de estar encima dos dois ao mesmo tempo, pois gosto dos dois.”
(Diário da Bia – janeiro de 2019)


“Já não tenho idade para andar na chuva com este frio. Sim, vou lá fora, sinto um pouco a aragem e depois recolho-me nos cobertores. Faço questão de me cobrir por inteiro. A minha tutora quando me vê com mais dificuldade com o frio, cobre-me com uma manta. Fico ali a manhã toda a dormir. À noite deito-me aos pés dos meus tutores.  Desde que possa estar ali a sentir o calorzinho deles e dos cobertores fico quase a noite toda, bem quietinho e quanto mais coberto pelos cobertores, melhor.” (Diário do Jordan – janeiro de 2019)

"Tenho me sentido quentinha com esta manta que a minha tutora me colocou agora e até gosto de me deitar encima dela quando estou a apreciar da janela tudo o que se passa do lado de fora. Eu gostaria de ir passear lá fora mas eu já lá vi outros gatos maiores que eu. A minha tutora diz-me que ainda não é seguro. O que gosto é que a minha tutora não se esqueça de me encher as tigelas todos os dias com esta comida  deliciosa. Tenho umas bolinhas e papeis de papelão para brincar. Sinto-me feliz."
(Diário da Mariana - Janeiro de 2019)


(Texto de autoria de Rosária Grácio)


Este blogue é uma partilha de vida da autora com os seus gatos no dia a dia, pelo que as informações aqui contidas não substituem e nem visam dar informações técnicas ou veterinárias sobre os gatos. Cada gato é um gato ! Em caso de alteração de comportamento ou alguma anomalia de saúde do seu gato, procure um veterinário para que possa ajudar o seu gato o mais rápido possível.


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(Rosária Gácio)




sexta-feira, 21 de dezembro de 2018

E o Natal nos trouxe a Mariana



Nesta semana, a Mariana encontrou-nos. Ela estava na rua, e foi meu marido que a viu a miar, e por pouco não foi atropelada por um carro, porque mandamos pará-lo, a tempo da Mariana fugir para debaixo de outro carro que estava parado. Ainda fui atrás da Mariana, mas ela fugiu para dentro de uma vedação de uma das casas da rua, e julguei que ela vivia ali e tinha-se escapado.

No outro dia, enquanto cuidava do jardim da minha casa, escutei novamente uns miados. Meus gatos estavam comigo e com as orelhas em pé, indicavam-me de onde vinha os miados. Agarrei numa toalha, e lá fui eu pela rua fora. 

Não sabia se era a Mariana ou se era outro gato qualquer pequenino. E lá estava a Mariana, no meio da rua, magríssima, com focinho arranhado e olhos remelados. Desta vez, aproximei-me mais devagar… Ela ainda correu para a frente de uma porta, mas não entrou… Já não tinha forças… Pareceu-me dizer: - já não posso mais!

E embrulhei-a na toalha que trazia e trouxe-a. Tremia de frio e mal se via os seus olhos de tão infecionados. Pelo seu corpo pequenino e magríssimo, julgava que ela tinha um mês, talvez dois meses.

Meus gatos olhavam-me assustados pelo que trazia no meu colo. A minha Diana bufou logo porque esta minha gata é muito ciumenta.


Eu sei que trazer um novo gato para uma casa onde existem outros gatos não é tarefa fácil. Só há cerca de uns dois meses é que meus gatos voltaram a dar-se bem depois de quase um ano de alterações de comportamento devido à doença da Bia.

Sei que colocar um novo gato também implica riscos de saúde para os da casa, se não souber realmente as condições de saúde do novo gato. Existem muitas doenças que são transmissíveis, e os gatos na rua ficam sujeitos a todo o tipo de vírus, devido às suas condições precárias de alimentação, sujeitando-se às mudanças climáticas, especialmente nesta altura de forte inverno.

Sei que há quem pense que um gato na rua se "dá bem", mas a realidade é que nem todos os gatos se dão tão bem assim. Especialmente os gatos mais dóceis, os que tinham tudo para serem os melhores companheiros de  toda uma vida na casa de alguém são estes os que morrem mais depressa na rua, porque simplesmente são dóceis, e não são capazes de se defender dos gatos mais selvagens.

Mas a Mariana ali no meu colo, já sem forças abria os seus olhinhos remelentos e baixinho miava, já ronronando, sem ainda me conhecer. A Mariana confiou-se a mim e deixou-se estar no meu colo ali quase quieta, como se me dissesse: - Já estou sem forças, já não aguento mais, confio em ti!

Arranjei uma caixa transportadora onde coloquei a Mariana. Meti lá um cobertor quente, água, comida e uma pequena caixa de areia. Coloquei a caixa transportadora com a Mariana no meu atelier de pintura que é um anexo que tenho junto à minha nova casa. Este anexo tem um telhado novo e praticamente ali é o mesmo ambiente da minha casa.


Não tinha comida para um gato júnior, e por isso, lembrei-me de lhe dar uma lata de atum natural que por vezes dou ao meu gato.

A Mariana logo que viu o atum comeu rapidamente. Estava esfomeada.  Enchi por duas vezes a tigela e comeu tudo, ronronando sempre, esticando-me a pata, quase que a dizer-me: - Obrigada!

Já comprei comida própria para gatos juniores. Desfiei-lhe um franguinho, sem ossos, e dei-lhe, e ela gostou imenso. Lambeu aquela aguinha de cozer o frango que meus gatos também gostam tanto.

Liguei de imediato à veterinária dos meus gatos! Sabia que a Mariana estava doente e precisava agora ser vista por um veterinário o mais depressa possível. 

Felizmente a minha nova veterinária vem ao domicílio. Quando eu disse que a Mariana tinha comido, foi um bom sinal. Disse-me que devia manter a Mariana quentinha pelo que me pediu para que colocasse uma botija de água quente na transportadora para ela se sentir quentinha e manter a sua temperatura corporal. Mas a botija tem de ser colocada envolta em um pano senão os gatos pequeninos de tanto quererem o calor, acabam por se queimar quando colocamos uma botija sem proteção. Se um gato pequenino tiver muito frio, isso pode agravar-lhe as doenças que eventualmente já tiver. E assim fiz. Durante o dia mudo por três ou quatro vezes a botija para ela se manter quentinha.


No outro dia, a veterinária pode vir vê-la, e agradeço-lhe do fundo do coração de ter tido esta disponibilidade quase que imediata para vir ver a Mariana, mesmo diante da sua agenda cheia de compromissos e marcações. 

A Mariana tem uma infeção nas vias respiratórias, mas não tinha febre, o que é um bom sinal. Como está a comer e a beber e  a fazer as suas necessidades com regularidade, pensa-se que é apenas isso que ela tem, até fazer-se exames. E assim já está medicada com antibiótico e gotas para tratar os olhos que parecem também estarem infecionados. 

Também os seus ouvidos precisam ser limpos e desinfetados.


A Mariana pesa cerca de um quilo. Pelos seus dentes, avalia-se que a Mariana já tem mais de três meses, talvez já quatro meses. Infelizmente, a Mariana deve ter passado muita fome nos seus primeiros meses de vida, e por isso, o seu corpinho pequeno e frágil não pode crescer como deveria ser. Assim sendo, além da medicação, também tem de tomar uma pasta com vitaminas para dar-lhe mais forças.

A Mariana é uma prova viva do quanto é cruel colocar-se gatos na rua, julgando-se que eles sabem se defender por si mesmos, especialmente quando ainda são pequeninos.

Eu não sei porque a Mariana foi parar na rua, nem sei se ela veio de uma ninhada de gatos de rua, ou se foi de uma ninhada de gatos de casa não castrados, que não puderam ser adotados e acolhidos na mesma casa.

Aqui eu não condeno ninguém. 

Infelizmente a vida nem sempre é fácil para todos, fazem-se opções, e por vezes, é complicado acolher-se um gato em casa, já que ainda há tantos mitos em torno dos gatos, especialmente se são encontrados na rua.

Eu também acreditava em alguns destes mitos, e nestes últimos tempos tenho aprendido tanto com os gatos com os quais partilho a minha vida. Ainda hoje, estava meia adoentada com gripe e queria ficar na cama, mas meus gatos fizeram-me levantar, reagir pois não nos podemos deixar abater. Para quem ainda não leu, deixo aqui o meu pequeno e-book onde partilho um pouco do que os gatos representaram na minha readaptação como deficiente visual.


Às vezes, precisamos apenas não desistir ou apenas acreditar que é possível!

Não sei quanto tempo a Mariana esteve na rua, nem sei por onde ela andou antes de me encontrar. O que eu sei é que a Mariana estava exausta, esfomeada, desnutrida e quase sem forças no meio da rua em pleno inverno rigoroso e muito chuvoso.

Neste Natal e em todos os dias do ano, existem muitas Marianas que ainda andam nas ruas, esfomeadas, desnutridas, sem forças, abandonadas à sua própria sorte.

Na verdade, estas Marianas que andam pelas ruas, são companheiros em potencial que poderiam encher de alegria uma casa, que poderiam ser amigos fiéis de toda uma vida de alguém.


Na nossa  vida, só quando a partilhamos com alguém, um animal ou uma simples planta é que podemos dizer: - Fomos importantes para alguém, passamos por esta vida e mudamos algo, salvamos um animal da rua, acabamos com a dor de alguém, estendo-lhe a mão, acolhendo o outro na sua diferença, na sua fragilidade, pois hoje, temos esta oportunidade de sermos esta luz do Natal na vida que nos cerca.

O Natal, na sua essência, não são as luzes, as prendas e as festas. 

O natal, para os crentes, começou nesta história belíssima de um Deus que se fez menino frágil que escolheu nascer numa manjedoura onde estavam os animais, pois não havia um lugar de conforto nas hospedarias para acolhê-lo. Foi ali na fragilidade de uma gruta ou estábulo que o Natal começou. E só quando revivemos este Natal na sua simplicidade de quem necessita de ajuda, desta humildade em mudar a partir dos pequenos gestos que salvam a vida de quem e do que nos cerca, é que vale a pena viver o Natal!

Não conto esta história para me vangloriar, pois ainda hesitei em contar a história da Mariana. Tenho já três gatos e não sei se eles vão acolher a Mariana para ela ser da nossa família. O que importa agora, é cuidar da Mariana, salva-la, pois ela também merece esta oportunidade de viver e ser feliz na casa de alguém, protegida e cuidada por um tutor que a ame para sempre.


Neste blogue, quando partilho a minha história de vida com os meus gatos, é antes de mais para mudar mentalidades, especialmente as baseadas em tantos mitos, pois é preciso contar a verdadeira história dos gatos. 

Foi por isso que escrevi o livro "Bia por um triz" e continuo a escrever aqui e nas redes sociais sobre o que vivo com os meus gatos todos os dias.

O que me interessa é dizer que um gato, quando ama, ama para sempre! E Mariana provou-me que é possível este amor, mesmo que venha quando não estávamos à espera.

Feliz Natal e beijos da Bia, Jordan, Diana Riscas e da Mariana, com muitos ronrons.


(Texto de autoria de Rosária Grácio)

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